'Rebaixamento' de Ministério da Ciência irrita pesquisadores brasileiros, diz revista Nature

Revista pontua que fusão de gabinetes de Ciência e Comunicações contrariou comunidade científica, já alarmada por possível nomeação de bispo para ministro

Redação

Atualizada às 12h41

Em artigo publicado nesta quinta-feira (12/05),  a revista britânica Nature destaca que o "rebaixamento do Ministério da Ciência" – fundido com a pasta de Comunicações no novo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, uma das primeiras medidas do presidente interino do Brasil, Michel Temer – irritou cientistas e pesquisadores brasileiros. A nova pasta será chefiada pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

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Treze associações científicas, lideradas pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e ABC (Academia Brasileira de Ciências), enviaram na quarta-feira (11/05)  uma carta a Temer na qual argumentam que a fusão entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Ministério das Comunicações trata-se de "uma medida artificial" em detrimento do "desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação do país".



O veículo também pontuou que Temer havia inicialmente sinalizado que colocaria como ministro da Ciência um bispo evangélico da Igreja Universal, Marcos Pereira, preocupando a comunidade científica brasileira. Pereira já declarou ser criacionista, o que significa que ele acredita que o Universo foi criado por obra divina.
 

“Infelizmente, o Ministério da Ciência é geralmente a primeira ficha de barganha de todos os novos governos”, disse à Nature o reitor de pesquisa da Universidade de São Paulo, José Eduardo Krieger.

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“O cruel de tudo isso é que, quando você prejudica a ciência, você nunca pode retomar de onde parou. Você perde sua posição”, explicou Krieger.

A revista lembra ainda que o gabinete teve três ministros nos últimos 16 meses “e cada um foi escolhido aparentemente para fins políticos, não por ter alguma experiência na área”. Além disso, a Nature ressalta que o Ministério vem sofrendo com cortes de verba desde o ano passado, devido à crise econômica do país.

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