Deputados europeus pedem suspensão de negociações UE-Mercosul por causa do assassinato de Marielle

Pedido foi endereçado à vice-presidente da Comissão Europeia Federica Mogherini; Marielle Franco foi assassinada na noite desta quarta-feira (14/03)

Redação

Mais de 50 deputados do Parlamento Europeu pediram nesta quinta-feira (15/03) a suspensão imediata das negociações para um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul por conta do assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco.

“Pedimos para a Comissão uma suspensão imediata das negociações com o Mercosul até que haja o fim da violência e intimidação contra a oposição política e defensores de direitos humanos”, diz a carta, que é assinada pelo deputado espanhol Mighel Urbán Crespo, do partido Podemos, e endereçada à vice-presidente da Comissão Europeia, Federica Mogherini.

O documento também é firmado por outros grupos do Parlamento Europeu, em especial por parte da Esquerda Europeia Unida. Segundo a carta, “a política de segurança do governo brasileiro e do Estado do Rio de Janeiro, baseada essencialmente no aumento da presença de corpos policiais e militares (o que culminou na intervenção do Exército brasileiro), não fez mais do que agravar o clima de violência do país”.

PSOL

Marielle Franco foi assassinada na noite desta quarta-feira (14/03)

Urbán também falou sobre o caso durante uma reunião do Parlamento europeu. “Assistimos, uma vez mais, o assassinato de uma ativista feminista e defensores dos direitos humanos, um crime que se produz no contexto de um aumento da violência no Brasil e no Rio de Janeiro”, afirmou.

O parlamentar citou dados que revelam que, em 2017, 312 defensores de direitos humanos foram mortos pelo mundo. Entre eles, 26 eram brasileiros. “As atividades das pessoas comprometidas com a defesa dos direitos humanos é mais que necessária”, afirma.

Assassinato

O crime ocorreu na noite da última quarta-feira (14/03) e também vitimou o motorista da vereadora, Anderson Pedro Gomes. As características do homicídio - uma emboscada sem roubo - apontam para a hipótese de execução, que é a principal linha de investigação da polícia.

Nascida e criada na favela da Maré, Marielle foi a quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016, com 46.502 votos. Nos últimos dias, postou mensagens nas redes sociais denunciando a violência policial no Rio.

"Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?", escreveu no Facebook.

Ela também chamou o 41º Batalhão da Polícia Militar de "Batalhão da Morte" por causa de denúncias de crimes no bairro de Acari. Marielle era crítica da intervenção militar do Governo Federal na segurança pública do Rio de Janeiro. 

(*) Com Ansa

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