Venezuela acusa EUA de promoverem golpe de Estado contra o país

Em comunicado oficial, o governo da Venezuela "denuncia mais uma vez, diante da comunidade internacional, a tentativa do governo dos Estados Unidos de consumar um Golpe de Estado" contra o país

Redação

São Paulo (Brasil)

O governo da Venezuela acusou neste domingo (06/01) a intenção dos Estados Unidos de realizar um golpe de Estado contra o país promovendo o desconhecimento das instituições venezuelanas.

Segundo comunicado oficial expedido pela chancelaria do país, o governo da Venezuela "denuncia mais uma vez, diante da comunidade internacional, a tentativa do governo dos Estados Unidos de consumar um Golpe de Estado contra o Governo Constitucional e Democrático do Presidente Nicolás Maduro, ao promover o desconhecimento das instituições legítimas e democráticas do Estado venezuelano".

O documento ainda afirma que recentemente representantes do governo norte-americano praticaram "ações hostis" com o propósito de romper a "estabilidade institucional e a paz na Venezuela". 

A chancelaria ainda cita que documento revelados e testemunhos de investigações demonstraram que, desde o golpe de 2002 contra o então presidente Hugo Chávez, "as administrações estadounidenses se dedicaram a promover, apoiar e financiar ações violentes à margem da Constituição e das leis venezuelanas, com o objetivo de gerar uma mudança de regime pela força, que lhes permita recuperar o controle sobre os recursos energéticos e minerais que pertencem exclusivamente ao povo da Venezuela".

Grupo de Lima

A declaração vem após o autodenominado Grupo de Lima, formado por 14 países do continente americano, afirmarem na última sexta-feira (04/01) que não reconhecerão o próximo mandato de Maduro, do qual o presidente reeleito toma posse dia 10 de janeiro.

Em reunião acompanhada pelos EUA como ouvintes - o país norte-americano não faz parte oficialmente do grupo - 13 nações concordaram em reconhecer o próximo mandato do presidente venezuelano como ilegítimo e sugeriram que o poder passe para as mãos da Assembleia Nacional, o Parlamento da Venezuela, controlado pela oposição. Apenas o México se recusou a assinar o documento.

Ainda na sexta-feira, o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, acusou o Grupo de Lima de incentivar um golpe de Estado contra o país, com o apoio norte-americano. 

Em comunicado oficial, o ministro das Relações Exteriores afirmou que a "Venezuela expressa sua maior perplexidade diante da extravagante declaração de um grupo de países do continente americano que, após receber instruções do governo dia Estados Unidos através de uma videoconferência, acordaram em incentivar um Golpe de Estado na Venezuela".

Neste sábado (05/12), a Assembleia Nacional venezuelana afirmou que também não reconhecerá o governo de Maduro e que o comando da nação deve ser entregue ao Parlamento. Em desacato judicial desde 2016, as ações da Casa não possuem validade jurídica. 

Segundo o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, Maduro tomará posse no dia 10 de janeiro perante o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

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Maduro toma posse dia 10 de janeiro

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