Observatório Judaico repudia declaração de presidente de federação israelita de que Bolsonaro 'olha por nós'

Para o Observatório Judaico dos Direitos Humanos no Brasil Henry Sobel, o primeiro ano do governo Bolsonaro representou “um enorme retrocesso em termos das garantias individuais e coletivas essenciais a um regime democrático”

O Observatório Judaico dos Direitos Humanos no Brasil Henry Sobel, em nota divulgada nesta sexta (27/12), repudiou as declarações do presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), Luiz Kignel, que afirmou que o presidente Jair Bolsonaro “olha por nós”, em referência à comunidade judaica no país.

Ao jornal O Estado de São Paulo, Kignel disse também que os judeus teriam sido “ignorados pelos governos de esquerda na pauta antissemita. Nunca fomos respeitados como minoria”. O presidente da federação paulista, ainda de acordo com o jornal, já teve encontros com Bolsonaro, mas negou que os judeus tenham “acesso livre” ao gabinete.

Para o observatório, o primeiro ano do governo Bolsonaro representou “um enorme retrocesso em termos das garantias individuais e coletivas essenciais a um regime democrático”. “Esse primeiro ano viu ataques oficiais inéditos aos movimentos sociais e a minorias. Essa ofensiva é também um ataque aos judeus brasileiros, que nada têm a comemorar, ao contrário do que afirmou o presidente da Fisesp”, diz a nota.

Segundo o observatório, é uma "posição estreita" achar que, durante os governos de Lula e Dilma (entre 2003 e 2016), os judeus não foram respeitados.

“Os judeus não tiveram problemas com o antissemitismo durante os governos de Lula e Dilma. A política externa de ambos certamente foi crítica às posições do governo de Israel, e isso mudou no governo Bolsonaro. Mas uma postura crítica a Israel não significa “desrespeito” aos judeus, assim como o apoio incondicional de Bolsonaro a Netanyahu não traz qualquer contribuição ao processo de paz”, afirma. 

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Observatório judaico repudiou declarações de presidente da Fisesp sobre Bolsonaro

Leia a íntegra da nota:

Em nota publicada nesta sexta, 27 de dezembro, na coluna da jornalista Sonia Racy, o presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Luiz Kignel, faz um balanço positivo do governo Bolsonaro e afirma que, “agora, um presidente olha por nós”. Acrescenta que “fomos ignorados pelos governos de esquerda na pauta antissemita e nunca fomos respeitados como minoria”.

O Observatório Judaico dos Direitos Humanos no Brasil Henry Sobel avalia que o primeiro ano do governo Bolsonaro representou um enorme retrocesso em termos das garantias individuais e coletivas essenciais a um regime democrático. Esse primeiro ano viu ataques oficiais inéditos aos movimentos sociais e a minorias. Essa ofensiva é também um ataque aos judeus brasileiros, que nada têm a comemorar, ao contrário do que afirmou o presidente da Fisesp.

Os judeus não tiveram problemas com o antissemitismo durante os governos de Lula e Dilma. A política externa de ambos certamente foi crítica às posições do governo de Israel, e isso mudou no governo Bolsonaro. Mas uma postura crítica a Israel não significa “desrespeito” aos judeus, assim como o apoio incondicional de Bolsonaro a Netanyahu não traz qualquer contribuição ao processo de paz.

Além disso, considerar que os judeus “NUNCA” foram respeitados durante os governos de esquerda é uma postura estreita, sem base na realidade. Já ignorar a barbárie instalada pelo governo Bolsonaro é sempre um desrespeito - aos judeus e aos não judeus igualmente.

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