Hoje na História: 1946 - Morre o economista britânico John Maynard Keynes

Na visão do pensador, desemprego poderia ser combatido presença mais marcante do Estado na economia
Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.

Atualizada em 21/04/2017

John Maynard Keynes, um dos mais respeitados economistas do século XX, morre em Tilton, no Reino Unido, em 21 de abril de 1946, aos 62 anos.


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Tão influente foi Keynes na primeira metade do século passado que toda uma escola de pensamento econômico moderno assumiu seu nome: keynesiana. Muitas de suas ideias foram revolucionárias, quase todas controversas.

Wikimedia CommonsNasceu em Cambridge e cursou o King’s College, onde se diplomou em matemática, em 1905. Após deixar Cambridge, Keynes assumiu um cargo no serviço público. Trilhou rapidamente seu caminho rumo aos escalões superiores da burocracia e, em 1919, já era o principal representante do Tesouro britânico na Conferência de Paz de Versalhes.

Proeminente jornalista e orador, Keynes foi um dos componentes do Grupo Bloomsbury de expoentes da literatura, que incluía Virginia Woolf e Bertrand Russell. Na Conferência de Breton Woods, de 1944, quando foi criado o Fundo Monetário Internacional, Keynes era um dos arquitetos do sistema de taxas de câmbio fixas do pós-guerra.

Keynes tornou-se uma celebridade quando seu eloquente livro As Consequências Econômicas da Paz foi publicado em 1919. Escreveu para objetar as duras reparações de guerra impostas à Alemanha pelos países aliados após a Primeira Guerra Mundial. Os montantes exigidos eram tão grandes, dizia, que uma Alemanha que tentasse pagá-los permaneceria perpetuamente pobre e, em decorrência, politicamente instável.

O resultado, dizia, seria inevitavelmente um novo conflito. À parte sua excelente análise econômica das reparações, o livro traça um profundo retrato do Conselho dos Quatro - Georges Clemenceau, da França, David Lloyd George, do Reino Unido, Woodrow Wilson, dos EUA, e Vittorio Orlando, da Itália.

Na década de 1920, acreditava na teoria da quantidade de moeda, hoje chamada de monetarismo. Seus textos sobre o tópico foram construídos essencialmente sobre os princípios aprendidos com seus mentores, Marshall e Pigou. Seu ponto de vista central era que o meio de estabilizar a economia passava por estabilizar o nível de preços, ou seja, a inflação, e que, para tanto, o Banco Central deveria elevar a taxa de juros quando os preços tendessem a subir e baixá-las quando os preços tendessem a cair.
 

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As ideias de Keynes experimentaram uma dramática mudança quando o desemprego no Reino Unido parecia não terminar nunca no período entre-guerras, atingindo níveis de até 20%. Keynes investigou outras causas das atribulações econômicas do país e o resultado foi a obra A Teoria Geral do Emprego, Juros e Moeda.

A Teoria Geral revolucionou o modo dos economistas pensarem a economia. Foi pioneira em muitos aspectos, em especial porque introduziu a noção de demanda agregada como a soma do consumo, investimento e despesa governamental. Demonstrou também que o pleno emprego somente poderia ser mantido com a ajuda do dispêndio governamental.

Os economistas ainda discutiam que as propostas de Keynes poderiam, ao contrário, causar alto desemprego. Alguns achavam que ele atribuía o desemprego ao salário que levava tempo a cair. Porém, na realidade, Keynes não queria que os salários fossem reduzidos e sim que se mantivessem estáveis. Um corte generalizado nos salários, argumentava, levaria a um decréscimo da renda, do consumo e da demanda agregada. E isto contrabalancearia quaisquer benefícios que o menor custo de mão-de-obra pudesse trazer.

Por que não poderia o governo, indagava Keynes, substituir as empresas privadas investindo em obras públicas e contratando os desempregados? A Teoria Geral defendia o déficit contraído em períodos de descenso econômico a fim de manter o pleno emprego.

Sua conclusão encontrou, inicialmente, forte oposição. À época, orçamentos equilibrados eram prática padrão. Todavia, a ideia foi abraçada e, por exemplo, o New Deal de Roosevelt colocou o desempregado para trabalhar em extensas obras públicas.

Ao contrário de algumas asserções críticas, Keynes foi sempre um defensor do livre Mercado. Foi Keynes, e não Adam Smith, quem disse: “Não há qualquer objeção a ser levantada contra a análise clássica sobre o modo como o interesse privado determinará o que deve ser produzido, em que proporção os fatores de produção irão se combinar  para produzi-lo e qual será o valor do produto final a ser distribuído.”

Uma vez que o pleno emprego fosse alcançado, como decorrência de medidas de política fiscal, o mecanismo de mercado poderia então funcionar livremente.

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