Trump revoga duas décadas de diplomacia dos EUA e sugere Estado único para Israel e Palestina

Presidente dos EUA indica mudança significativa na política dos EUA ao abandonar solução de dois Estados; premiê israelense disse que 'rejeição persistente' de palestinos a Israel é razão para não haver paz na região

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tiveram nesta quarta-feira (15/02) em Washington, capital norte-americana, seu primeiro encontro bilateral. Em entrevista coletiva após a reunião, Trump afirmou que palestinos e israelenses terão que negociar diretamente um acordo de paz e que “ficará feliz” com qualquer solução alcançada entre as duas partes – inclusive a solução do Estado único.


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“Estou olhando para [a solução de] dois Estados e do Estado único. E eu vou gostar daquela que as duas partes gostarem. Ficarei feliz com a solução que as duas partes preferirem”, disse o presidente dos EUA, indicando uma mudança significativa na política norte-americana sobre a questão.

Nas últimas décadas, os EUA e grande parte da comunidade internacional – como a ONU, a Liga Árabe, a União Europeia e a Rússia – têm apoiado a solução que consiste no estabelecimento de dois Estados – um judaico-israelense e um árabe-palestino, no limite territorial anterior a 1967 – independentes, soberanos e convivendo pacificamente.

Já a solução do Estado único pressupõe que palestinos e israelenses convivam pacificamente sob um único Estado, laico, que garanta a cidadania e os direitos de todos os seus habitantes, independentemente de sua origem, etnia ou religião.

"Posso viver com qualquer uma das opções. Pensei por um tempo que dois Estados parecia ser a opção mais fácil", disse Trump. "Para ser honesto, se Bibi [Netanyahu] e os palestinos, se Israel e os palestinos estão felizes, fico feliz com a opção que eles preferirem."

Agência Efe

Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, e Donald Trump, presidente dos EUA, durante entrevista coletiva na Casa Branca

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Trump disse que os EUA irão “encorajar a paz, e um ótimo acordo de paz” entre as duas partes, e se virou para Netanyahu: “os dois lados terão que ceder, você sabe disso, certo?”  

O presidente norte-americano também pediu que o premiê “segure um pouco” o avanço dos assentamentos judaicos em território ocupado palestino, uma resposta às autorizações do governo israelense para a construção de pelo menos 5 mil novas casas em colônias israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Questionado sobre a solução de dois Estados, Netanyahu disse que prefere focar em “substância” e não em “rótulos”. “Há dois pré-requisitos para a paz. O primeiro é que os palestinos devem reconhecer o Estado judaico [de Israel]. O segundo é que, em qualquer acordo de paz, Israel deve manter o controle absoluto da segurança em toda a área a oeste do rio Jordão”, o que inclui o território palestino. “Do contrário teremos outro Estado terrorista”, disse o israelense.

Agência Efe

Netanyahu e Trump no Salão Oval da Casa Branca

O primeiro-ministro israelense afirmou que “a rejeição persistente” de palestinos em relação a Israel é a razão de não se alcançar a paz na região. “Eles [as lideranças palestinas] precisam parar de educar seu povo para destruir o povo de Israel”, disse. “Judeus são chamados de judeus porque vêm da Judeia [nome usado pelo governo israelense para designar o sul da Cisjordânia, território palestino]. Os palestinos não só negam o passado, eles envenenam o presente”, afirmou.

Netanyahu também disse que conhece Donald Trump “há muitos anos” e que “não há maior apoiador de Israel e do Estado judeu do que ele”. Ele disse acreditar que o republicano será capaz de reverter “a crescente onda do Islã radical” no Oriente Médio e elogiou o compromisso de Trump na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), ao assegurar que os "valores e interesses" compartilhados por EUA e Israel "estão sendo atacados por uma força malévola, o terrorismo islâmico radical".

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