Notas Internacionais, por Ana Prestes: 5 de novembro de 2018

Transição de Jair Bolsonaro, eleições legislativas nos Estados Unidos e sanções contra Irã: destaques desta segunda-feira

Ana Prestes

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  • O anúncio de Sérgio Moro como Ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro repercutiu em toda a imprensa internacional, de charges a artigos, o tom usado foi: Bolsonaro fará ministro o juiz que prendeu seu rival.
  • John Bolton, conselheiro de segurança nacional dos EUA, em evento na última sexta (2/11) chamou Venezuela, Cuba e Nicarágua de "troika da tirania", anunciou sanções e defendeu parceria com Bolsonaro no Brasil, a quem comparou com Iván Duque, da Colômbia.
  • Rússia, China e Irã dão sinais de que apoiariam a Venezuela em eventual conflito regional.
  • Bolsonaro diz que Brasil poderá romper relações diplomáticas com Cuba.
  • Política externa pró-Israel de Bolsonaro pode prejudicar o superávit comercial de 7,7 bilhões de dólares que o Brasil tem com os países árabes, fruto ainda da cooperação sul-sul desenvolvida pelo governo Lula.
  • Sobre os anúncios de política externa de Bolsonaro, disse o diplomata Rubens Ricupero: "A política externa brasileira sempre teve como princípio a universalidade das relações. Nós procuramos ter relações com todos os países, qualquer que seja a orientação de cada um. É um imperativo da convivência entre as nações."
  • Rubens Barbosa, diplomata cotado para chanceler em um eventual governo PSDB, disse sobre os anúncios de Bolsonaro: "O Brasil tem uma tendência a ter relações com todos os países e, no caso de Cuba, nós temos interesses lá. Exportamos para Cuba e fazemos investimentos lá."
  • EUA se preparam para as eleições legislativas que ocorrem amanhã, 6 de novembro. Vão eleger 435 representantes para a Câmara, 35 senadores e 36 governadores. Democratas são considerados favoritos para a Câmara e os republicanos para o Senado. É aguardada uma eleição maior de mulheres e negros.
  • EUA devem voltar hoje com todas as sanções contra o Irã, que estavam suspensas como parte do acordo nuclear de 2015. O fim de semana foi de protestos no Irã. As sanções vão atingir toda a sociedade iraniana, que já está prejudicada desde o anuncio de rompimento unilateral do tratado, por parte dos EUA, no ano passado. Quase todos os produtos no Irã estão ligados à cadeia mundial de fornecimentos. A moeda nacional iraniana já perdeu 70% do seu valor no último período. Oito países foram "autorizados" a continuar comprando petróleo iraniano. Durante os protestos do fim de semana, iranianos comemoraram a tomada da embaixada dos EUA em 1979, durante a Revolução Islâmica.
  • Continua em evidência nas manchetes internacionais o caso do jornalista saudita Jamal Kashoggi, morto ao entrar em um consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia. Seus familiares fizeram pedido oficial à monarquia saudita para a devolução dos restos mortais, para procedimentos do funeral. Há, no entanto, informações de que o corpo pode ter sido desmembrado e até mesmo dissolvido em ácido.
  • As fake news também têm sido instrumento auxiliar da direita xenófoba europeia. Partidos como a Liga Norte, da Itália, Reagrupamento Nacional na França, UKIP do Reino Unido ou o Fidesz da Hungria têm baseado sua política altamente restritiva quanto à migração a um suposto "plano Kalergi" que teria como objetivo realizar uma "limpeza étnica" dos brancos no continente europeu e substituir por uma mistura étnica com outros povos. Kalergi foi um diplomata austro-húngaro que nos anos 20 do século passado propôs uma ampliação da noção de fronteiras na Europa. A referência a esse "plano" tem sido usada por autoridades em toda a Europa para justificar políticas desumanas com migrantes.
  • Caravana de migrantes hondurenhos rumo aos EUA está em Puebla, no México.
  • EUA e Coreia do Sul começam exercícios militares hoje, mesmo com as solicitações da Coreia do Norte para que parem os exercícios.
  • Japão e EUA também fizeram exercícios militares neste final de semana.
  • Presidente cubano Miguel Díaz-Canel visitou ontem (04/11) a Coreia do Norte.
  • Segundo dados divulgados pelo Unicef, 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos estão em situação de desnutrição severa neste momento no Iêmen, que desde 2015 está sob ataque da Arábia Saudita.

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