Notas internacionais, por Ana Prestes: 28 de novembro de 2018

Brasil não será sede da COP-25, lei marcial na Ucrânia, encontros de Trump no G20, destaques desta quarta-feira

Ana Prestes

Todos os posts do autor

- O Itamaraty informou ontem (27/11) que o Brasil já não será sede da COP-25 em 2019. A Conferência anual da ONU para negociar a implementação do Acordo de Paris seria realizada no Brasil entre 11 e 22 de novembro de 2019. Em função da rotação regional das sedes das COPs, cabe à América Latina e Caribe a sede da COP-25 e a candidatura do Brasil como sede havia sido endossada regionalmente em outubro passado e seria aprovada pela Conferência das Partes, órgão máximo da Convenção, que se reúne entre 2 e 14 de dezembro próximos na Polônia, durante a COP-24.

- Na época da aprovação da candidatura brasileira à sede da COP-25, o informe do Itamaraty informava que “a realização da COP-25 no Brasil confirma o papel de liderança mundial do país em temas de desenvolvimento sustentável” e agora, com a renúncia, o Itamaraty aponta que: “tendo em vista as atuais restrições fiscais e orçamentárias, que deverão permanecer no futuro próximo, e o processo de transição para a recém-eleita administração, a ser iniciada em 1º de janeiro de 2019, o governo brasileiro viu-se obrigado a retirar sua oferta de sediar a COP 25”.

- Os recursos para a realização da COP-25 no Brasil já estavam resolvidos desde outubro, quando do endosso regional à candidatura. Viriam do Fundo Clima, com orçamento aprovado em junho pelo Congresso, em emenda da LDO. O Brasil é visto mundialmente como referência pelos esforços de combate ao desmatamento, por ter uma matriz energética menos dependente dos combustíveis fósseis, pelos biocombustíveis e uma agropecuária que respeita a preservação de territórios.

- Eduardo Bolsonaro passeia pelos corredores do poder nos EUA como se estivesse na Disney. Ontem saiu da Casa Branca com um boné da campanha Trump 2020. Seus principais compromissos públicos firmados por lá foram a transferência da Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém e o aumento da pressão sobre Cuba e Venezuela. Quanto à embaixada em Israel, fez questão de dizer que não se trata de perguntar se haverá mudança, mas sim quando será a mudança.

- Está na Bíblia (Mateus 6:24) que “ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro”. O futuro chanceler Ernesto Araújo parece conhecer bem esta passagem e a adota em sua prática diplomática. Segundo matéria que saiu no Nexo Jornal, há dez anos, em 2018, Araújo defendia fervorosamente a política externa “ativa e altiva” conduzida por Celso Amorim no Itamaraty. Totalmente o oposto do defendido por ele no recente artigo “Mandato popular na política externa”, publicado pela Gazeta do Povo, em que critica o “terceiro-mundismo automático” e a “ideologia do PT, ou seja, do marxismo, que ainda está muito presente no Itamaraty”.

- Repercutiu internacionalmente que mais um militar foi empoderado por Bolsonaro. Trata-se do general Carlos Alberto dos Santos Cruz que deve assumir a Secretaria de Governo. O general estará na reunião com John Bolton em Brasília amanhã (29/11).

- Trump disse nessa terça (27/11) que pode cancelar a reunião com seu homólogo Putin durante o G20 em Buenos Aires em decorrência dos conflitos entre Rússia e Ucrânia no último final de semana. A chanceler alemã Angela Merkel também pediu diálogo entre as partes. Com a aprovação da lei marcial pela Ucrânia pode aumentar a tensão na região da Crimeia. Putin, que “retirou” três embarcações ucranianas no Mar Negro, por incursão ilegal destas em águas territoriais russas bem em frente à Crimeia.

- A lei marcial está em vigor em 10 regiões da Ucrânia e a Rússia anunciou nesta quarta (28/11) que está instalando misseis antiaéreos na península da Crimeia.

- Outro grande encontro que é aguardado para o sábado durante o G20 é entre Trump e Xi Jinping.

- Uma grande marcha contra o G20 está marcada para a próxima sexta-feira (30/11) em Buenos Aires.

- Na Tunísia muitas pessoas foram às ruas para protestar contra a visita do príncipe saudita Mohamed bin Salman. Os manifestantes gritavam “fora, assassino” se referindo ao caso do jornalista assassinado Kashoggi e principalmente quanto à morte de crianças na guerra do Iêmen. O príncipe estará em Buenos Aires para a abertura da cúpula do G20 ao final desta semana em Buenos Aires. A ONG Human Rights Watch instou a justiça argentina a abrir investigação sobre Mohamed bin Salman por crimes de guerra e tortura. A jurisdição argentina é uma das poucas com caráter universal com poder de investigação por este tipo de crime, independentemente de onde tenha ocorrido no mundo.

- O governo do México, através de seu ministério das Relações Exteriores, enviou nota diplomática ao governo dos EUA pedindo “investigação completa” sobre uso de armas não letais como o gás lacrimogênio durante confronto com migrantes centro-americanos na fronteira no último domingo (25/11).

- Em mais um gesto de pressão sobre a Nicarágua, para antecipação das eleições presidenciais, o governo norte-americano aprovou ontem sanções econômicas à vice-presidente do país, Rosário Murillo.

- Na França, Macron aceitou conversar com os “coletes amarelos”, mas não atende as principais reivindicações do movimento. Não vai mexer no aumento da tributação em 2019.

Reprodução
Brasil não será sede da COP-25, lei marcial na Ucrânia, encontros de Trump no G20, destaques desta quarta-feira

Comentários

Leia Também