Notas internacionais, por Ana Prestes: 9 de janeiro de 2019

Brasil se retira do pacto de migração da ONU, Trump defende muro na fronteira com México, OEA chama reunião com Brasil e EUA para o dia da posse de Maduro; destaques desta quarta-feira

Ana Prestes

Brasília (Brasil)

- Em telegrama emitido nesta terça-feira (08/01) a todos os postos diplomáticos brasileiros no exterior, o Itamaraty pede a diplomatas que comuniquem à ONU que o Brasil saiu do Pacto Global para Migração. Negociado por quase dois anos, o pacto é uma resposta internacional à crise migratória que atinge vários países do mundo com um enorme fluxo migrante circulando no planeta. Em nenhum trecho o texto do acordo fere a soberania de qualquer país ou exige qualquer medida para recebimento de volumes pré-determinados de migrantes.

- Trump foi à TV americana nesta terça-feira (08/01) à noite para falar do muro com o México e da consequente paralisação parcial do governo na queda de braços com o Congresso para a aprovação de recursos destinados à construção da estrutura na fronteira sul. Todas as TVs transmitiram. Durante o pronunciamento, disse que vai manter a administração estancada até que a Câmara de Representantes aceite pagar pelo muro. Alega crise demográfica e um país aberto a “imigrantes criminosos”.

- Pesquisa da Pew Research Center mostra que maioria dos norte-americanos é contra a construção de um muro na fronteira com o México.

- Histórica votação do Brexit no parlamento britânico deve ocorrer em 15 de janeiro, segundo porta-voz de Theresa May disse nesta terça-feira (08/01). Deve ocorrer a partir das 19h30 (hora local). A probabilidade de aprovação ainda é remota. A oposição aposta na rejeição da proposta de May e convocação de eleições legislativas antecipadas. Outros parlamentares defendem novo referendo. May aposta na tese do “fato consumado”, dada a exiguidade do tempo para a construção de novo acordo.

- Ainda no contexto do Brexit, o Parlamento britânico votou ontem uma ação sobre a lei do orçamento, que dificulta a ação do governo no caso de um Brexit duro (sem acordo). A proposta foi aprovada por 303 votos contra 296. A medida impede o aumento de certos impostos e outras definições sem autorização do Parlamento. Uma espécie de vacina contra a tentativa de um Brexit sem acordo.

- Na Alemanha, foi preso o hacker que vazou os dados pessoais de mais de 400 políticos, inclusive de Angela Merkel. O rapaz, que tem 20 anos e cursa o ensino médio, vai responder em liberdade. Alega que se irritou com declarações dos políticos.

- Trump rebaixou o status da delegação diplomática da União Europeia (UE) nos EUA do nível de Estado para o de organização internacional. Segundo a imprensa europeia, a medida foi descoberta agora, apesar de ter sido tomada entre outubro e novembro de 2018. Diplomatas europeus deixaram de ser convidados para uma série de eventos em Washington e durante o funeral de Bush-pai se deram conta do rebaixamento.

- A Organização Mundial do Comércio (OMC) informou ontem (08/01) que diplomatas venezuelanos abriram processo na entidade contra as medidas de sanção econômica a produtos e serviços venezuelanos por parte dos EUA. As sanções servem ao intuito de isolamento e estrangulamento econômico da Venezuela. Dentro das regras da OMC, ambos países terão que colocar seus representantes para negociar e caso não haja acordo a controvérsia será arbitrada por especialistas.

- Como já se imaginava, deteriorou-se a sintonia entre Washington e Ancara com respeito a situação dos curdos. A princípio satisfeito com a saída das tropas norte-americanas da Síria, pela oportunidade de lidar sozinho com os curdos, Erdogan se irritou com as condicionantes anunciadas por John Bolton para a saída dos EUA da Síria. Segundo Bolton, uma das condições é que o governo turco proteja os curdos na fronteira com a Síria.

- A Guatemala expulsou a comissão da ONU – Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala. A comissão tinha mandato até 3 de setembro de 2019. A medida tomada pelo presidente guatemalteco, Jimmy Morales, ocorre no mesmo momento em que aumenta a tensão entre governo e oposição no país. O convênio com a ONU que gerou a comissão foi aprovada pelo legislativo do país.

- Terminou hoje (09/01) em Pequim uma rodada de três dias de negociações comerciais entre EUA e China. Ainda não há documento oficial ou pronunciamento sobre os acordos a que chegaram.

- Popularidade de Macron voltou a subir, mesmo com a continuidade dos protestos dos coletes amarelos, segundo pesquisa do Instituto Ifop. Por outro lado, o partido de extrema direita Reunião Nacional (antigo Frente Nacional) liderado por Marine Le Pen também ganhou força nas pesquisas como o partido que mais representa a principal oposição a Macron, seguido do La France Insoumise, de Mélenchon.

- No Chile, a Igreja Católica enfrenta uma onda de denúncias de abusos sexuais. O Ministério Público atualizou ontem para 148 o número de investigações sobre abusos sexuais realizados por membros da Igreja contra 255 pessoas. O Papa Francisco tem aceitado as renúncias de vários bispos chilenos. A maior parte das acusações se refere a estupros realizados por padres ao longo de décadas em colégios da Congregação Marista.

- Em reunião com o assessor de segurança nacional dos EUA, John Bolton, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu que reconheça a soberania israelense sobre as Colinas de Golán. Originalmente parte do território Sírio, as colinas de Golán foram conquistadas por Israel em 1967 (guerra dos seis dias) e anexadas por Israel em 1981. A anexação nunca foi reconhecida pela Síria e pela comunidade internacional.

- A taxa de emissão de dióxido de carbono nos EUA subiu 3,4% em 2018. A maior alta em 8 anos. O estudo divulgado ontem (08/01) pelo instituto Rhodium Group colocou os EUA em posição ainda mais distante do cumprimento dos Acordos de Paris (2015) de redução da emissão global de gases contaminantes.

- O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, junto a representantes da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, EUA, Guatemala, Paraguai e Peru, convocou para amanhã, no mesmo momento da posse de Maduro na Venezuela, uma reunião da entidade. Curiosamente o encontro ocorrerá na sala Simón Bolivar da entidade.

- O secretário geral da OPEP, o nigeriano Mohammed Barkindo, já está na Venezuela para a posse de Maduro.

- No México, o presidente López Obrador anunciou o início de um processo de avaliação sobre 368 casos de presos políticos na esfera federal. Há pessoas presas por participarem de protestos contra a reforma educacional de Peña Nieto, ambientalistas da zona de Puebla, mulheres que interromperam a gravidez. 

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Brasil se retira do pacto de migração da ONU, Trump defende muro na fronteira com México

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