Be water, my friend

Bolsonaro, ditadura, absurdos, assassinatos, injustiça, silêncio, ignorância: pare tudo e vá beber uma água fresca

Ludmilla Balduino

Goiânia (Brasil)

Eu sei que você é do tipo de gente que exibe suas bebidas em um belo móvel na sala de visitas. Sei porque também sou dessas. E somos produtos do meio.

Acho ótimo, porque é sempre bom oferecer algo para beber ao alguém que chega em nossa casa, isso inclui nós mesmos, quando adentramos cansados, depois de encarar as loucuras que se passam sobre o asfalto que isola a nossa humanidade da nossa natureza, para finalmente fechar a porta atrás de nós e tentar esquecer o que se passou lá fora.

Sim, nada melhor do que estar em casa e saborear um líquido que desce gentilmente pelas nossas gargantas, fazendo-nos sentir coisas internas que - na maioria das vezes - são muito melhores, mais refrescantes e mais acolhedoras do que as coisas que ocorrem para além das nossas peles, para além das nossas paredes.

Hoje estou falando dela. Da água.

Somos água. Somos criaturas maravilhosas.

Precisamos de água, dessas cristalinas, ricas em minerais que nos preenchem as células, nos dão o equilíbrio, colocam a gente na roda da malemolência, que lubrificam tudo, que nos lavam de dentro para fora.

Água que nos fitra. Que entra como trazendo boas novas, como uma anunciação, uma janela aberta em dia ensolarado, que passa pelo minúsculo espaço entre as células da boca, nos mata a sede imediatamente, para logo em seguida se espalhar para todos os nossos cantinhos desidratados do corpo, como uma raiz. Essa é a tal da capilaridade que eu também costumo chamar de magia. A água não fica parada, quando tudo ao redor dela está vivo. Vai carregando os excessos para a corrente sanguínea, para os rins, para a pele.

A água não fica parada. Nunca. A água é tão poderosa que ela é capaz de dar a vida. E de fazer a morte renascer.

Valorize a sua água. Porque você é ela.

Eu tava pensando aqui: que tal colocar o filtro na sala? ;-)


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