Insegurança alimentar severa atinge mais de 110 milhões de pessoas no mundo, diz ONU

Segundo relatório, mais da metade dos atingidos, 74 milhões de pessoas, vivem em 21 países afetados por conflitos ou insegurança; em 2018, clima e desastres naturais levaram 28 milhões de pessoas à fome

Redação

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Rio de Janeiro (Brasil)

O Relatório Global sobre Crises Alimentares da ONU apontou que, pelo terceiro ano consecutivo, a insegurança alimentar severa atingiu mais de 100 milhões de pessoas.

Dados do estudo, divulgado na terça (02/04) indicam que, em 2018, cerca de 113 milhões de pessoas em 53 países experimentaram altos níveis de insegurança alimentar em crises alimentares que exigiram assistência urgente de alimentos, nutrição e subsistência.

Fome

A pesquisa adverte que milhões de outras pessoas correm o risco de enfrentar o mesmo destino, a menos que as causas das crises da fome sejam abordadas.

Afeganistão, República Democrática do Congo, Etiópia, nordeste da Nigéria, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen foram os oito países responsáveis por 64% do número total de pessoas que enfrentam insegurança alimentar severa. Esta é definida como uma fome tão grave que representa uma ameaça imediata à vida ou aos meios de subsistência.

O número total de atingidos teve uma pequena queda em relação ao ano passado, quando 124 milhões de pessoas em 51 países foram atingidas pela insegurança alimentar severa. Essa queda teria ocorrido porque um número de países normalmente expostos a secas severas, inundações, chuvas e aumentos de temperatura não apresentaram essas ocorrências.

No entanto, o Relatório Global mostrou que, nos últimos três anos o número de pessoas que enfrentam insegurança alimentar aguda tem ficado consistentemente acima de 100 milhões.

Relatório

Em 17 países, a fome crônica permaneceu a mesma ou aumentou. Os maiores aumentos foram registrados no Afeganistão, na República Democrática do Congo, no Sudão e na Zâmbia.

O Relatório Global é produzido anualmente pela Rede Global contra Crises Alimentares, que é composta por parceiros humanitários e de desenvolvimento internacionais. Ele é apresentado pela União Europeia, pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA, em um evento de alto nível de dois dias que iniciou nesta terça-feira em Bruxelas.

Conflitos

De acordo com o estudo, mais da metade das pessoas que sofrem fome crônica, 74 milhões de pessoas, estavam localizadas em 21 países afetados por conflitos ou insegurança, o que representa um pequeno aumento em comparação com 2017. Dessas pessoas, cerca de 33 milhões viviam em 10 países africanos, mais de 27 milhões em sete países do Oriente Próximo, principalmente Iraque, Palestina, Síria e Iêmen.

Outros 13 milhões de pessoas moravam em três países da Ásia e 1,1 milhão na Europa Oriental.

Em 2018, o clima e os desastres naturais levaram 28 milhões de pessoas à insegurança alimentar severa, incluindo 23 milhões de pessoas em 20 países africanos. Mais de 10 milhões de pessoas foram empurradas para a fome por crises econômicas.

A análise não incluiu 13 países devido a lacunas de informação. Entre estes, os autores do relatório apontaram que a Coreia do Norte e Venezuela são particularmente preocupantes.

Objetivo

A pesquisa destaca as manifestações mais graves de insegurança alimentar severa nas crises alimentares mais urgentes do mundo. Ele reúne dados e análises regionais e nacionais de várias fontes para fornecer uma visão abrangente das crises alimentares e da insegurança alimentar severa nos países afetados, com o objetivo de apoiar ações humanitárias e de desenvolvimento.

Para o diretor executivo do PMA, David Beasley, para realmente acabar com a fome, é preciso lidar com as causas profundas dela, como “conflito, instabilidade e o impacto dos choques climáticos”. Ele adicionou que “meninos e meninas precisam ser bem nutridos e educados, as mulheres precisam ser verdadeiramente empoderadas e a infraestrutura rural precisa ser fortalecida para atender a meta da Fome Zero.”

Assistência Humanitária

Nos últimos 10 anos, a assistência humanitária e as necessidades de gastos cresceram cerca de 127%. Aproximadamente 40% desse total destinou-se a cobrir as necessidades dos subsetores de alimentos e agricultura.

Esse aumento, diz o relatório, destaca a necessidade de uma nova maneira de responder aos desafios da segurança alimentar. Ao mesmo tempo, o estudo destaca que o desenvolvimento agrícola tem um enorme potencial para construir a resiliência das comunidades rurais para fornecer um amortecedor contra crises futuras.

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