Quinta-feira, 5 de março de 2026
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O ex-guarda do campo de concentração de Auschwitz Reinhold Hanning, de 94 anos, que enfrenta julgamento na Alemanha sob a acusação de ter sido cúmplice em assassinatos cometidos no local, pediu desculpas nesta sexta-feira (29/04) perante o júri.

“Eu realmente sinto muito”, disse Hanning. “Me envergonho de ter visto o errado acontecer e nada ter feito para parar isso.” 

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Contra Hanning não há nenhuma prova de que ele tenha participado diretamente de alguma morte. Ele é acusado de ter feito parte do “funcionamento interno” do campo de Auschwitz, onde cerca de 1,1 milhão de pessoas foram mortas, sendo a maioria judeus.


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Quem foi Reinhold Hanning?

Hanning nasceu em 28 de dezembro de 1921, na cidade de Helpup, na Alemanha, e trabalhou numa fábrica de bicicletas antes de se juntar ao Exército alemão, em 1940. Ele entrou nas Waffen SS – a unidade de elite de Hitler – e acabou sendo transferido para Auschwitz, na Polônia ocupada, em 1942, onde supervisionava a chegada dos detentos.

“Eu realmente sinto muito”, disse Hanning; “me envergonho de ter visto o errado acontecer e nada ter feito para parar isso”

Reprodução

Ele entrou nas Waffen SS e foi transferido para Auschwitz, na Polônia ocupada, em 1942, onde supervisionava a chegada dos detentos

Entre janeiro de 1943 e junho de 1944, Hanning fez parte da “seleção” de detentos como guarda. A “seleção” era um processo feito esporadicamente para selecionar quem iria trabalhar e quem seria enviado às câmaras de gás. Durante o período em que Hanning esteve em Auschwitz, menos 25% dos que chegavam eram escolhidos para trabalhar.

Depois que o conflito acabou, o ex-guarda passou um tempo como prisioneiro de guerra no Reino Unido antes de retornar à Alemanha.

Julgamentos

O processo contra Hanning faz parte de uma nova estratégia da Justiça alemã de expandir o círculo de responsáveis pelo Holocausto. Até 2009, a única forma de conseguir uma condenação para ex-nazistas era provar, de fato, que o acusado tinha sido responsável pela morte de uma vítima individual. Essa premissa foi alterada após o julgamento do guarda do campo de extermínio de Sobibor, John Demjanjuk, condenado a cinco anos de prisão por ter facilitado o assassinato de pessoas devido ao seu trabalho no campo.

Outros três ex-guardas da SS, dois homens e uma mulher, também deverão ser julgados nos próximos meses.