Inspirado em Lula, Alberto Fernández propõe criar 'Fome Zero' argentino

Objetivo do plano é, além de melhorar a alimentação da população, baixar o preço dos alimentos e criar uma cadeia sustentável de produção e consumo

O candidato à Presidência da Argentina Alberto Fernández, favorito nas pesquisas, detalhou nesta segunda-feira (07/10) o plano “Argentina Contra A Fome", que pretende colocar em prática se eleito no próximo dia 27 de outubro. O programa é inspirado no “Fome Zero”, implantado durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) no Brasil.

Em evento na Universidade de Buenos Aires, Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, disse que o objetivo do plano é, além de melhorar a alimentação da população, baixar o preço dos alimentos e criar uma cadeia sustentável de produção e consumo.

Segundo o candidato peronista, um eventual governo irá criar um conselho federal sobre o tema, reunindo sindicatos, organizações sociais e universidades. Além disso, a ideia é tornar lei os “Preços Cuidados”, mecanismo pelo qual o governo negocia com a indústria para que o preço de determinados produtos seja mantido em níveis baixos.

Da mesma maneira, Fernández quer criar “uma grande rede de produtores locais e consumidores para comprar a preços baratos frutas, verduras, lácteos e carnes”. O plano prevê, dentre outras medidas, a devolução do IVA (Imposto de Valor Agregado) a famílias em situação de vulnerabilidade.

Alberto Fernández/Facebook
Fernández anunciou plano "Argentina contra a fome"

"Não me importa de onde vêm, não me importa como pensam: não podemos viver em paz com semelhante flagelo. Travemos a batalha mais sensata que podemos travar: fazer com que os argentinos deixem de padecer com a fome", disse.

Um estudo, divulgado em abril, mostrou que 1,467 milhão de crianças e adolescentes passaram fome na Argentina em 2018. Segundo o estudo, cerca de 642 mil crianças e adolescentes não receberam assistência alguma por parte do governo, o que soma 4,2% dos cidadãos argentinos na faixa etária de 0 a 17 anos.

O estudo ainda indica que nos últimos três anos a insegurança alimentar aumentou 5,5 pontos percentuais, e que 63,4% das crianças e adolescentes estão privados de exercer algum direito essencial.

Entre setembro de 2018 o mesmo mês de 2019, a pobreza no país aumentou 8,1%, afetando 35,4% da população, o índice mais alto de todo o mandato do presidente Mauricio Macri.

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