Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
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A resolução apresentada pelos Estados Unidos no Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta sexta-feira (26/02) contra a guerra na Ucrânia foi vetada pela Rússia – justamente, o país que invadiu a nação vizinha. Apesar da hesitação do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em condenar abertamente o governo russo pelo ataque à Ucrânia durante a semana, o país votou alinhado aos Estados Unidos nesta sexta-feira.

O embaixador Ronaldo Costa Filho afirmou que “uma linha foi cruzada” e criticou “a gravidade da situação no momento”. O representante voltou a pedir o “fim das hostilidades e a retomada do diálogo diplomático” para acabar com a crise.

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“As preocupações de segurança manifestadas pela Rússia nos últimos anos, particularmente em relação ao equilíbrio estratégico na Europa, não dão ao país o direito de ameaçar a integridade territorial e a soberania de outro país”, afirmou ainda Costa Filho.

O texto recebeu 11 votos a favor dos 15 disponíveis e agora deve ser analisado na Assembleia Geral da ONU, que tem 193 países-membros. Foram favoráveis à medida: Albânia, Brasil, Estados Unidos, França, Gabão, Gana, Irlanda, México, Noruega, Quênia e Reino Unido. Já China, Emirados Árabes Unidos e Índia se abstiveram.

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Como a Rússia é um dos cinco membros permanentes do Conselho, ela tem o direito de vetar proposições.

A sessão foi marcada por bastante tensão e foi aberta pela embaixadora norte-americana na ONU, Linda Thomas-Greenfield, que afirmou que a ação era “um voto simples”.

“Vote sim para defender a Carta das Nações Unidas, o direito à soberania de qualquer país no mundo e se a Rússia deve ser responsabilizada por suas ações. Votem não ou se abstenham se vocês não defendem a Carta da ONU e se alinham com as ações injustificadas da Rússia na Ucrânia”, disse a representante.

Texto foi barrado por Moscou, que tem poder de veto no Conselho de Segurança, mas teve 11 de 15 votos a favor; China se absteve

ONU

Embaixador Ronaldo Costa Filho: "uma linha foi cruzada"

Do outro lado, o embaixador russo no órgão, Vassily Nebenzia, afirmou que a resolução era “contra a Rússia e contra a Ucrânia”. Segundo o representante, os “objetivos da operação especial da Rússia na Ucrânia serão rapidamente atingidos”, mas não detalhou nada para além do que o presidente Vladimir Putin já disse de “desmilitarizar” o país vizinho.

Nebenzia ainda acusou, sem provas, que o governo de Kiev está usando “cidadãos como escudos humanos” e que a “culpa” do ataque russo “é toda da Ucrânia”.

Já a China, por meio de seu embaixador Zhang Jun, se absteve. Para o chinês, é preciso acabar com a “mentalidade de Guerra Fria” dos norte-americanos, mas ele também reconheceu a soberania da Ucrânia.

“Acreditamos que a soberania de todas as nações deve ser respeitada. Encorajamos todos os esforços para uma solução diplomática. A Ucrânia precisa se tornar uma ponte entre leste e oeste. O país não deve ser um posto avançado para o confronto entre grandes potências. Após os cinco rounds sucessivos da expansão da Otan, a legítima aspiração de segurança da Rússia deve receber a atenção e ser enfrentada adequadamente”, disse Zhang.

Após a votação, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, agradeceu aos 11 países que votaram a favor da resolução de responsabilização de Moscou. “O veto da Rússia é uma mancha de sangue nas metas da Conselho de Segurança, no mapa da Europa e do mundo. A coalizão contra a guerra deve agir imediatamente”, disse o mandatário.

(*) Com Ansa