Filho de vice-presidente dos EUA é contratado por produtora de gás da Ucrânia

Hunter Biden será responsável por unidade legal da Burisma Holdings, segundo foi anunciado nesta terça-feira

Redação

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A Burisma Holdings, maior produtora privada de gás da Ucrânia, anunciou nesta terça-feira (13/05) a contratação de Hunter Biden, filho do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, como um de seus diretores. De acordo com comunicado divulgado pela companhia, ele, que é advogado, ficará encarregado de sua unidade legal, além de oferecer suporte à empresa em meio a organizações internacionais.

[Joe Biden, vice-presidente dos EUA: seu filho trabalhará para companhia de petróleo e gás da Ucrânia]

“A estratégia da empresa visa a concentração mais forte da equipe profissional e a introdução de melhores práticas empresariais, e estamos muito satisfeitos que o Sr. Biden esteja se juntando a nós para nos ajudar a atingir nossos objetivos”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da Burisma Holdings, Alan Apter.

A Burisma é uma holding que possui várias empresas ucranianas de petróleo e gás, bem como ativos em outras companhias. Sua produção em 2013 foi de 11.600 barris de petróleo, de acordo com um membro do Conselho de Administração, e a intenção é de aumentar esse número em 35% neste ano.

A notícia chamou atenção porque, desde o início da crise ucraniana, os Estados Unidos e seus aliados vêm pressionando a Ucrânia a reduzir sua dependência de combustível em relação à Rússia. Além disso, se comprometeram a ajudar o país, não apenas ampliando suas opções de fornecedores, mas desenvolvendo a produção nacional.  

O pai de Hunter, como vice-presidente norte-americano, repreendeu a Rússia repetidas vezes por suas ações na Ucrânia e foi a mais alta autoridade dos EUA a visitar Kiev desde o início da crise. Durante a viagem, Biden anunciou um empréstimo à Ucrânia, focado na energia e na economia.

Há temores de que o envolvimento de Hunter Biden com a Burisma Holdings possa interferir no trabalho de seu pai como vice-presidente e, consequentemente, na postura dos EUA em relação à Ucrânia. Apesar disso, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que “Hunter Biden e outros membros da família são, obviamente, cidadãos e onde eles trabalham não reflete um endosso do presidente ou do vice-presidente”.

Enquanto isso, Rússia, Ucrânia e União Europeia informaram hoje que analisam uma data para uma nova reunião sobre a exportação de gás russo para os ucranianos. O embaixador da Rússia para a UE, Vladimir Chizov, falou de uma "forte probabilidade" para uma reunião no dia 16 de maio, em Atenas, onde Gunther Oettinger, comissário europeu para Energia, deve participar de um encontro dos ministros da Energia da União Europeia.

A Comissão Europeia ainda não confirmou essa data, mas, segundo uma fonte ligada ao caso que falou à AFP, o dia 16 de maio "não é possível". As discussões iniciadas em 2 de maio entre os ministros russo e ucraniano da Energia, Alexander Novak e Yuri Prodan, mediadas por Oettinger, ainda não permitiram um acordo.

Nesta terça-feira, a Ucrânia afirmou que irá processar a Rússia pelo aumento no preço do gás. O primiro-ministro interino, Arseni Yatseniuk, ainda acusou o país de Vladimir Putin de ter “roubado” esse recurso energético da Ucrânia ao anexar a Crimeia. Ontem (12), a empresa russa Gazprom ameaçou cortar o fornecimento de gás no dia 3 de junho, caso a Ucrânia não pague a dívida de quase U$S 3,5 bilhões. 

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