Egito volta às urnas, sob protestos e confrontos

Primeira das duas fases aconteceu entre 29 e 30 de janeiro com um triunfo dos partidos islamistas

Prensa Latina

Começou nesta terça-feira (07/02) o segundo turno da primeira fase das eleições para a Câmera Alta do Parlamento egípcio. Apesar disso, os protestos e confrontos entre manifestantes e forças policiais continuaram no Cairo.

O processo eleitoral para o Conselho Shoura ou Consultivo buscará o desempate entre candidatos finalistas das províncias do Cairo, Alexandria, Fayoum, Assiut, Mar Vermelho, Daqahlia, Gharbiya, Monufiya, Novo Vale, Sinaí Norte, Sinaí Sul, Damietta e Qena.

Segundo a Comissão Eleitoral, a votação se desenvolverá nesta terça para decidir cadeiras de candidatos individuais, mas se realizará nos próximos dois dias para listas fechadas em Qena e Monufiya, onde foi suspensa por ordem judicial para acrescentar mais partidos às vagas.

A primeira das duas fases aconteceu entre 29 e 30 de janeiro com um triunfo dos partidos islamistas, os mesmos que se impuseram com mais de 70% de cadeiras nas eleições para a Assembleia do Povo (Câmera Baixa) efetuadas entre os últimos meses de novembro a janeiro.

As eleições, no entanto, são suprimidas no Cairo, Alexandria e em Suez pela convulsão desatada pelos distúrbios após uma partida de futebol em Port Said na última quarta-feira (01). Na ocasião, morreram 74 pessoas e centenas de torcedores ficaram feridos.

Centenas de jovens torcedores da equipe Al Ahly, que disputou a partida com o Al Masry (de Port Said) se mobilizaram nos arredores do Ministério do Interior para denunciar a inoperância da polícia e da Junta Militar egípcias durante os confrontos no estádio.

Os choques ao redor da sede ministerial e em Suez deixaram de quinta-feira (02) a domingo (05) pelo menos 12 mortos e dois mil feridos, de acordo com o Ministério de Saúde. Ainda assim as manifestações prosseguiram pelo quinto dia consecutivo, de forma esporádica e com alarmante violência.

A polícia fez um novo bloqueio com blocos de concreto para acentuar o isolamento do Ministério frente às tentativas de jovens de acessar as suas instalações.

Até a noite desta segunda-feira (06), as tentativas de parlamentares, líderes religiosos e organizações políticas de mediar os conflitos haviam fracassado. tinham fracassado. Além disso, cresceram também as exigências para que sejam castigados os policiais responsáveis e que a cúpula militar entregue o poder a civis.

O presidente da Assembleia do Povo, o islamista Saad Katatny, enviou uma delegação para investigar se houve uso dae força excessiva contra manifestantes em ruas adjacentes ao Ministério do Interior.

Ao mesmo tempo, cinco deputados anunciaram nesta segunda pela noite sua intenção de fazer greve de fome para pressionar as forças de segurança a cessar a violência contra os ativistas.

Junto com essa ação, estudantes universitários participantes nas revoltas do ano passado contra Hosni Mubarak convocaram novos protestos para 11 de fevereiro, coincidindo com o primeiro ano em que o então presidente cedeu o poder aos militares.

Mais de 50 agrupamentos do chamado movimento revolucionário propuseram sete demandas como condição para desistir de seu protesto, começando pelo desmantelamento imediato do governo interino.

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