Para Via Campesina, queda de Lugo representa retrocesso democrático

Delegação paraguaia da organização esteve presente na Cúpula dos Povos

João Novaes

 

Os 150 paraguaios que estão participando da Cúpula dos Povos mostraram revolta com as notícias da crise política que se instalou no país sul-americano nesta quinta-feira (21/06). Muitos deles expressaram sua indignação nos microfones da plenária três, a principal da Cúpula. Alguns dos ativistas presentes chamavam o episódio de tentativa de golpe. Houve ainda um minuto de silêncio em respeito às vítimas de ditaduras na América Latina.

De acordo com Perla Alvarez Britez, chefe da delegação paraguaia e coordenadora nacional dos trabalhadores rurais indígenas da Via Campesina em seu pais, os ativistas estão procurando antecipar suas passagens de retorno para lutar pelo restabelecimento democrático do Paraguai. “Ao mesmo tempo em que estamos felizes com a solidariedade encontrada em todos os povos aqui presentes, estamos muito ansiosos, pois agora queremos estar em nosso país, que está passando sérias dificuldades em seu processo democrático”, revelou a ativista, que ainda completou: “É muito preocupante [a situação] depois de [conseguirmos] conquistas tão dolorosas nos últimos 20 anos”.

 

Segundo Perla, o presidente Fernando Lugo iniciou um processo de mudança e sua saída marcaria um retrocesso muito grande. “Agora vamos procurar nos unir o mais rápido possível com a população paraguaia para lutar. No geral, a população já esta na rua pedindo o final das mortes, a permanência de Lugo e a reforma agrária. E sabemos que os chefes de Estado da Unasul estão ao lado do nosso presidente”, explicou.

Para a ativista, quem se beneficia de um eventual golpe são os mesmos setores que ficaram no poder durante 30 anos: empresários e latifundiários.

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