OEA aprova convocação de chanceleres sobre conflito diplomático no caso Assange

Encontro vai discutir inviolabilidade da embaixada equatoriana; EUA são contra a reunião

Redação


A OEA (Organização dos Estados Americanos) decidiu nesta sexta-feira (17/08) convocar uma reunião extraordinária com todos os ministros de Relações Exteriores de seus países-membros para discutirem o conflito diplomático entre Equador e Reino Unido em torno do jornalista Julian Assange. Ela está marcada para daqui a uma semana, no dia 24 de agosto na sede da entidade, em Washington. As informações são da agência France Presse.

A pedido do governo equatoriano, a reunião foi aprovada por 23 votos (incluindo todos os sul-americanos e o México) a favor e três contra (dos Estados Unidos, Canadá e Trinidad e Tobago). Panamá, Honduras, Barbados, Jamaica e Bahamas, que se abstiveram. Participaram da votação os representantes diplomáticos dos países na entidade. O tema da discussão será para tratar da “inviolabilidade dos locais diplomáticos do Equador no Reino Unido”.

Para EUA e Canadá, contrários a discutir o assunto, este tema “é de competência exclusiva dos governos de Londres e Quito”, cabendo à entidade somente chamá-los para o diálogo. "Acreditamos que uma reunião de chanceleres não será útil e poderá ser prejudicial para a reputação da OEA", afirmou a embaixadora dos EUA na organização, Carmen Lomellin".

O pedido de reunião extraordinária pelo Equador foi realizado diante das ameaças do governo britânico de tirar Julian Assange à força da embaixada do Equador em Londres, uma dia antes de o país sul-americano ter concedido asilo diplomático ao fundador do site Wikileaks.

 


O Equador anunciou a concessão do asilo por considerar que existem riscos para sua integridade e sua vida em consequência das informações vazadas pelo Wikileaks, extremamente prejudiciais ao governo dos Estados Unidos. Quito aceitou os argumentos de Assange, que denuncia uma perseguição política de vários países devido à divulgação de centenas de milhares de comunicados diplomáticos e documentos dos EUA – em especial às que fornecem informações sobre as guerras e ocupações no Iraque e no Afeganistão.

Assange, que lançou o Wikileaks em 2010, é procurado pela Justiça da Suécia para responder por um suposto crime sexual, no qual ainda não foi acusado nem indiciado. No Reino Unido, ele travou uma longa batalha jurídica contra sua extradição para o país escandinavo, que se recusava a interrogá-lo em solo britânico. No entanto, a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que ele deveria ser extraditado. No dia 19 de junho, o jornalista buscou asilo na Embaixada do Equador em Londres, em uma jogada classificada como “tenaz” pela imprensa local.

Assange teme que, após ser preso na Suécia, os Estados Unidos peçam sua extradição, onde poderá ser julgado por crimes como espionagem e roubo de arquivos secretos.

(*) com agências de notícias internacionais

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