Autópsia comprova que Michael Brown foi executado com seis tiros, dois na cabeça

Apesar do toque de recolher, protestos continuam em Ferguson; governador do Missouri convocou Guarda Nacional para conter manifestações de cunho raciais

Redação

A autópsia preliminar do cadáver do jovem negro Michael Brown, assassinado por um policial na cidade de Ferguson, revela que ele recebeu pelo menos seis disparos: dois na cabeça e quatro no braço direito. O toque de recolher decretado pelo governador Jay Nixon para tentar conter os protestos fracassou, pois as manifestações aumentaram a ponto de a Guarda Nacional ter que ser enviada à cidade.

A investigação foi realizada a pedido da família de Brown, pelo médico Michael Baden, famoso por apresentar o programa “Autópsia”, da HBO. O exame realizado um dia depois da morte havia indicado que o jovem morrera após receber o impacto de disparos, mas não especificou de quantas balas.

De acordo com informação do jornal The New York Times, a autópsia revela que todos os projéteis foram disparados de frente, nenhum pelas costas – o que descarta a possibilidade de que ele tenha corrido – nem à queima-roupa, já que não há vestígio de pólvora no corpo de Brown. Mas esta hipótese é preliminar, já que Baden não teve acesso à roupa que o jovem usava no dia em que morreu.

Leia também: Obama pede ao FBI investigação independente sobre morte de jovem negro no Missouri

Ontem, o procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, anunciou que o Departamento de Justiça realizará sua própria autópsia. A informação foi bem recebida pelos advogados da família.

Punição

O resultado da autópsia realizada por Baden confirma a tese apresentada por testemunhas de que se tratou de uma execução, o que contraria a versão da polícia de que Brown morreu depois de reagir de forma agressiva e resistir à detenção.

Agência Efe

Protestos continuam em 
Ferguson mesmo com toque de recolher

Com base nisso, a família de Brown se convenceu de que o policial Darren Wilson, de 28 anos, acusado de ter atirado no garoto, deve ser preso.

“O que mais nós precisamos para prender o assassino do meu filho”?, perguntou a mãe de Brown ao advogado da família, Benjamin Crump, conforme relatado por ele durante coletiva de imprensa hoje.

“Nós acreditamos que, dados esses fatos, este policial deveria ter sido preso”, ressaltou o advogado Daryl Parks também durante a coletiva.

Em declarações à CNN, o reverendo Jesse Jackson disse que a autópsia de Baden pode aumentar as tensões em Ferguson e chamou o documento de “muito provocativo”.

Guarda nacional

A tensão voltou a aumentar após o toque de recolher decretado na cidade. Ontem, novos confrontos ocorreram entre a polícia e os manifestantes, deixando uma pessoa ferida, em estado grave, e sete detidos.

Para tentar acalmar a situação, o estado de Misuri decidiu enviar a Guarda Nacional a Feruson para “restabelecer a paz e a ordem e proteger os cidadãos” da comunidade, afirmou Nixon.

Agência Efe

Manifestantes encenam assassinato de Brown cometido por um policial branco

Em declarações à imprensa, Nixon criticou o que chamou de “atos criminosos de violência”. "Condenamos estas atividades criminosas, incluindo disparos contra as forças de segurança e civis, assim como o lançamento de coquetéis molotov, os saques e as tentativas de bloquear estradas e atacar os postos de comando unificado", disse em um comunicado oficial.

Diante da violência crescente, o governo federal decidiu ter mais envolvimento na investigação. O presidente Barack Obama chegou a cancelar as férias para acompanhar a situação de perto. Hoje, ele vai encontrar com o secretário de Justiça, Eric Holder, para se informar sobre o caso.

O Departamento de Justiça enviou 40 agentes do FBI para investifar o caso e colher depoimentos dos fatos.

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