Em evento internacional, Lula diz que 'imprensa estrangeira está dando lição de moral' na do Brasil

Durante seminário promovido pela Aliança Progressista nesta segunda-feira, Lula disse que imprensa nacional é 'ideologicamente definida'

Redação


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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (25/04), durante o seminário "Democracia e Justiça Social", realizado pela Aliança Progressista, que a imprensa internacional está dando uma "lição de moral" na mídia brasileira. Ele agradeceu aos meios de comunicação estrangeiros pela cobertura jornalística do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Paulo Pinto/ Agência PT

Em evento promovido pela Aliança Progressista, Lula afirmou que imprensa brasileira é "ideologicamente definida"

“A imprensa estrangeira está dando uma lição de moral na imprensa brasileira. Não queremos que defendam a Dilma ou o PT, apenas que defendam a verdade”, disse.

Lula criticou a atuação da imprensa no Brasil, que, segundo ele, é “ideologicamente definida”.  Segundo ele, a mídia nacional “não é aquela imprensa que faz a crítica e a posição política via editorial, mas que, na informação, é correta e honesta. Não, aqui, eles fazem política da primeira página à última, até nos obituários, tal é a necessidade de criminalizar o PT e os setores progressistas”, disse.

O ex-mandatário afirmou que a mídia brasileira está influenciando o processo de destituição de Dilma, atitude que, de acordo com ele, não pode ser aceita.

"Não é possível aceitar que um canal de TV governe o país, que meia dúzia de jornais e revistas diga quem é bom e quem é ruim", declarou.

O seminário “Democracia e Justiça Social” começou no domingo (24/04) e termina nesta segunda-feira (25/04), em São Paulo, com a participação de representantes de organizações partidárias de vários continentes. O evento é promovido pela Aliança Progressista, uma rede aberta a partidos e redes de partidos progressistas, democráticos, social-democratas, socialistas e trabalhistas. 

Cobertura internacional 

No domingo (24/04), uma matéria publicada pelo jorrnal espanhol El País classifica como “podre” o Parlamento brasileiro que, em 17 de abril, votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O artigo cita uma pesquisa da ONG Transparência Brasil, que indica que mais de 50% dos deputados brasileiros possuem contas pendentes na Justiça. 

No sábado (23/04), o articulista Franck Nouchi, que assina a coluna Médiateur do jornal Le Monde e que trata da relação entre os leitores e o periódico, semelhante ao posto de ombudsman mos jornais brasileiros, afirmou que a publicação francesa foi parcial ao dizer não haver golpe de Estado no Brasil. Segundo ele, houve erro ao não lembrar que líderes pró-impeachment são acusados de corrupção e ao não registrar a falta de pluralidade da mídia brasileira.

Em 18 de abril, um editorial do jornal britânico The Guardian classificou o impeachment de Dilma como "uma tragédia e um escândalo". Segundo a publicação, "agora muitos temem que a campanha anticorrupção desaparecerá, com exceção de uma concentração final de fogo em Lula”.
 
No mesmo  dia, o jornal norte-americano The New York Times afirmou que o impeachment é, em essência, um “referendo sobre PT”. De acordo com o texto, o processo contra Dilma Rousseff envolve mais do investigar supostos crimes que, segundo o NYT, foram cometidos por outros políticos sem tanto “escrutínio”.

'Cassar o PT'
 
Para Lula, o significado do impeachment de Dilma vai além da destituição da presidente. “Cassar a Dilma é uma necessidade de cassar o PT, é a possibilidade de dizer que o PT não volta tão cedo a governar esse país. É isso que está em jogo nesse momento”, falou.

O ex-mandatário afirmou também que a elite não “suporta” a democracia no Brasil e a possibilidade de um partido progressista estar no governo.

“A elite brasileira não suporta 28 anos de democracia, ela [elite] não suporta a perspectiva de o PT ou um partido progressista continuar governando o Brasil”, disse.

Segundo Lula, o impeachment é o maior “ato de ilegalidade” desde o golpe militar de 1964. “Tirar a Dilma é apenas um gesto. Tirar a Dilma, como eles [setores da direita] querem tirar, é o maior ato de ilegalidade feito a partir do golpe militar de 64”, declarou.

Resistência

Lula prometeu, aos participantes, que haverá resistência em defesa da democracia.

“Quero que vocês saibam que nós, do PT, vamos resistir e lutar porque com a democracia não se brinca. Muita gente morreu para a gente conquistar a democracia, jovens, velhos, comunistas, operários, muita gente deu a vida para chegar onde chegamos”, disse o ex-presidente.

“Só queremos que respeitem o voto popular. Se querem ganhar as eleições, esperem 2018”, acrescentou.
 

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