Organizações de direitos humanos da Argentina condenam afastamento de Dilma Rousseff

Em nota, grupos como Avós da Praça de Maio repudiam medidas de governo Temer e pedem pronunciamento de órgãos internacionais sobre golpe no Brasil

Redação


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Oito organizações de direitos humanos argentinas, incluindo as Avós e as Mães da Praça de Maio, assinaram um comunicado conjunto divulgado nesta sexta-feira (20/05) em que manifestam “extrema preocupação” pela “quebra institucional” do processo de impeachment contra a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que culminou em seu afastamento.

Segundo os grupos, o processo que levou ao afastamento da presidente é “questionável ao não se ajustar às garantias necessárias de imparcialidade” e o governo interino do vice-presidente Michel Temer está provocando um “grave regresso institucional”.

Reprodução Facebook/Abuelas de Plaza de Mayo - Sitio oficial

Manifestação das Avós da Praça de Maio e da organização HIJOS em março, ambos assinaram comunicado condenando golpe

“As primeiras declarações e medidas tomadas por Temer e seu gabinete — integrado em sua totalidade por homens brancos — geram preocupação pela situação dos direitos humanos no Brasil (...) O  contexto regressivo em matéria dos direitos humanos é ainda mais preocupante ao estar baseado em um programa de governo que não se submeteu ao escrutínio popular”, reforçaram os grupos.

A mensagem atentou às mudanças que Temer prometeu fazer ao programa Bolsa Família, à remoção do presidente da empresa estatal de comunicação EBC, Ricardo Melo, à extinção do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, entre outras medidas.

A nota reitera que o “golpe institucional no Brasil” implica em um novo retrocesso das democracias da América Latina como um todo e condenou a decisão do governo argentino de “legitimar a quebra institucional no Brasil”.

“As organizações de direitos humanos que aqui assinam se solidarizam com o povo brasileiro e instam os órgãos políticos da região e os mecanismos internacional de proteção dos direitos humanos a se pronunciarem e a monitorarem esta grave situação que afeta todo o continente”, termina o comunicado.

Além das Avós e Mães da Praça de Maio também assinaram os grupos Boa Memória, CELS (Centro de Estudos Legais e Sociais), Familiares de Detentos e Desaparecidos por Razões Políticas, Fundação Memória Histórica e Social Argentina, Filhos pela Identidade e a Justiça contra o Esquecimento (HIJOS, sigla em espanhol) e Liga Argentina pelos Direitos do Homem.

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