Em Nova York, acadêmicos fazem protesto contra golpe no Brasil

Organizada pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, manifestação foi realizada na abertura de congresso de estudiosos especialistas em América Latina

Redação


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Centenas de acadêmicos especializados em América Latina protestaram na sexta-feira (27/05), em Nova York, nos Estados Unidos, contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff, em processo que classificaram como golpe de Estado.

A manifestação, organizada pelo Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais), foi realizada na abertura do congresso da LASA (Associação de Estudos Latino-Americanos), uma associação formada por mais de 12 mil indivíduos e instituições que se dedicam ao estudo da região.

Vestidos com camisetas pretas com a inscrição “Brasil. A democracia de Luto. Não ao golpe”, os intelectuais gritaram “Fora Temer!” e rechaçaram governo interino.

Em entrevista à agência France Press, o secretário-executivo do Clacso, Pablo Gentili, disse que o espaço acadêmico oferecido pela Lasa foi “uma oportunidade para denunciar, de maneira veemente, o que acreditamos ser um novo golpe de Estado na América Latina".
 

Na quinta-feira (26/05), o conselho diretivo da Lasa havia aprovado por unanimidade uma moção de repúdio ao golpe no Brasil, decisão que foi anunciada no início do congresso.

Convidado como palestrante do evento, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua participação na sexta-feira. Em carta enviada à organização, ele disse que discursaria para “mentes radicais”.

“Eu peço que vocês entendam que a essa altura da minha vida, aos 85 anos, eu não desejo dar pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias, me usarem em uma luta imaginária ‘contra o golpe’, um golpe que nunca existiu”, escreveu o ex-presidente.

No final de abril, 162 membros da entidade latino-americana e 337 pesquisadores não associados pediam o cancelamento da conferência de FHC, afirmando que o ex-presidente teria tido influência no processo de impeachment que afastou Dilma Rouseff da Presidência do país.

Na petição, os intelectuais afirmaram que “ao convidar o ex-presidente para falar sobre a evolução da democracia exatamente num momento de fragilidade da democracia brasileira, quando o próprio Cardoso, bem como o partido em que ele ocupa um papel central, não hesitou em pôr em perigo a paz doméstica e os mecanismos básicos da democracia como a Constituição, a Lasa estaria desrespeitando estudiosos que têm lutado para constituir uma estabilidade democrática na região nos últimos 50 anos”. 

 

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