Estudantes protestam contra violência armada nos EUA

Um mês após massacre na Flórida, alunos deixam a sala de aula em todos os estados do país para uma manifestação nacional a favor do controle de armas; mais de 3 mil escolas participam do ato, segundo organização

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Dezenas de milhares de estudantes deixaram suas salas de aula em várias cidades dos Estados Unidos nesta quarta-feira (14/03), em protesto contra a violência armada no país. A data marca um mês do massacre que deixou 17 mortos em uma escola de ensino médio em Parkland, na Flórida.

O movimento, denominado #Enough (basta!, em inglês), reuniu alunos de mais de 3 mil escolas de todo o país em protestos antiarmas coordenados, realizados em cidades de todos os estados americanos, segundo os organizadores.

Os estudantes deram início às manifestações por volta das 10h (horário local), com um momento de silêncio em memória dos 14 alunos e três funcionários mortos no colégio Marjory Stoneman Douglas em 14 de fevereiro. O atirador, um jovem de 19 anos, comprou legalmente o fuzil usado no crime.

picture-alliance/AP Photo/J.L. Magana

Estudantes reunidos em frente ao Capitólio, em Washington

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Em Washington, mais de 2 mil estudantes sentaram no gramado em frente à Casa Branca, de costas para o prédio, e observaram os 17 minutos de silêncio. O presidente Donald Trump estava em viagem oficial à Califórnia no momento do ato.

Os manifestantes – que seguravam cartazes com frases como "Livros, não balas" e "Protejam pessoas, não armas" – seguiram a marcha até o Capitólio, sede do Legislativo americano, onde conversaram com parlamentares. Os líderes da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, e no Senado, Chuck Schumer, fizeram discursos à multidão.

"Nós estamos lutando nesta questão durante os últimos dez anos. A grande diferença é que agora temos vocês, os estudantes", afirmou Schumer, que também aproveitou para criticar a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), grupo lobista da indústria das armas.

"Queremos mostrar ao Congresso e aos políticos que não ficaremos esperando, que não estamos mais em silêncio", disse, por sua vez, a estudante Brenna Levitan, de 17 anos, que estava no protesto com sua mãe. "Parkland será a última escola a sofrer um ataque a tiros."

Em Nova York, alunos de mais de 50 escolas participaram dos protestos, sendo a grande parte vestindo laranja, a cor do movimento antiarmas. Eles gritavam, em coro, frases como "queremos mudança" e "eu serei o próximo?".

Os alunos da Stoneman Douglas também estiveram reunidos nesta quarta-feira. Vestidos na cor marrom, que representa a escola, eles visitaram os memoriais a seus colegas de classe mortos no massacre, em meio a abraços e lágrimas.

Nem todos os manifestantes saíram às ruas nesta quarta-feira nos EUA, mas muitos prestaram sua solidariedade deixando as salas de aula e alinhando-se nos corredores das escolas, reunindo-se em ginásios e auditórios ou simplesmente vestindo laranja.

Em uma escola de ensino médio em Cherry Hill, no estado de Nova Jersey, os alunos se organizaram em um campo de futebol formando um coração para quem via de cima.

Em Los Angeles e outras cidades, os estudantes fizeram uma demonstração semelhante ao deitar no chão de quadras esportivas de forma a escrever o slogan #Enough com seus corpos.

As manifestações coordenadas desta quarta-feira foram organizadas pelo grupo Empower, a ala juvenil da Marcha das Mulheres, que convocou os protestos de janeiro de 2017 contra o presidente Donald Trump, reunindo milhões de manifestantes em prol dos direitos das mulheres.

Os Estados Unidos têm mais de 30 mil mortes relacionadas a armas anualmente. Após o massacre na Flórida, os estudantes do colégio Stoneman Douglas lideraram uma campanha nacional de controle de armas, que forçou uma nova lei sobre o limite de idade para compra de armas no estado.

O presidente Trump, que recebeu uma enxurrada de críticas ao sugerir armar professores nas escolas, chegou a sinalizar certo apoio à redução do acesso às armas, como elevar o limite de idade para compra de 18 a 21 anos. Ele acabou voltando atrás mais tarde, e chegou a ser acusado por seus opositores de fazer lobby para a Associação Nacional do Rifle (NRA).

 

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