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Morte de jovem mapuche após operação policial abre crise política no Chile

Indígena foi morto por policiais durante operação no dia 14 de novembro; pressão por esclarecimentos levou à renúncia de governador local e gerou protestos contra membros do governo

Lucas Berti

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A morte do jovem de origem mapuche Camilo Catrillanca, de 24 anos, durante uma operação policial no último dia 14 de novembro, abriu uma crise política no Chile. Apesar das promessas do presidente Sebastián Piñera de investigar o caso, o fato gerou uma onda de protestos que levou um governador a renunciar. 

A renúncia governador da região de Araucanía, Luis Mayo, membro da coalizão de Piñera, aconteceu duas semanas após Catrillanca, neto de uma das autoridades indígenas Mapuche da região rural de Ercilla – a 800 km ao sul de Santiago – ter sido baleado na cabeça enquanto dirigia um trator, em uma operação contra roubo de veículos feita pelos Carabineiros, a polícia militar chilena. 

O caso foi criticado por partidos oposicionistas e por organizações de direitos humanos, sobretudo pelo histórico de confronto entre indígenas mapuche e forças de segurança do país. 

Segundo a imprensa local, mais de cem protestos foram registrados em todo o país. Uma escola rural em Chequenco e uma igreja em Trañi-Trañi teriam sido depredadas nas madrugadas seguintes ao caso, de acordo com informações da polícia. Outras manifestações ocorreram no último dia 15 de novembro, em diversos pontos da capital Santiago, quando grupos fizeram um "panelaço" pedindo a saída de Mayo e do ministro do Interior, Andrés Chadwick. 

Os manifestantes também exigiram respostas do Ministério Público e protestaram contra Piñera. Segundo o jornal La Tercera e a CNN Chile, outros protestos contra o governo estão marcados para as próximas semanas, em vários pontos do país. 

A seleção chilena de futebol também protestou contra a morte do jovem mapuche. Ao entrar em campo para uma partida contra o time de Honduras, os jogadores fizeram um minuto de silêncio, apesar da recusa da Associação Nacional de Futebol do Chile de reservar os segundos iniciais para homenagear Catrillanca. O meio-campista Jean Beausejour, que atua pela seleção, vestiu uma camiseta com seu sobrenome de origem indígena

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