ONU pede trégua humanitária na Líbia; confrontos já deixam mais de 30 mortos

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de duas mil pessoas estão desabrigadas nos arredores de Trípoli

Redação

São Paulo (Brasil)

A coordenadora humanitária das Nações Unidas na Líbia, Maria Ribeiro, afirmou nesta segunda-feira (08/04) que a organização encaminhou um pedido para todas as partes envolvidas nos conflitos do país para que seja decretada uma trégua humanitária afim de auxiliar civis.

“Uma das preocupações principais que temos é a situação da população que se encontra nas zonas de combate e, por isso, ontem as Nações Unidas pediram que houvesse uma pausa humanitária para permitir o acesso a essas zonas pelos serviços de emergência, para poder evacuar, eventualmente, civis que querem sair dessas zonas", disse.

Ainda nesta segunda, ministro da Saúde do governo de Aliança Nacional, baseado em Trípoli, Ahmed Omar, afirmou que ao menos 32 pessoas morreram, 50 ficaram feridas e duas mil estão desabrigadas devido à ofensiva lançada na semana passada pelo Exército Nacional da Líbia (ENL) do general Kalifa Haftar contra a cidade. No entanto, as forças de Haftar confirmaram apenas 14 mortos.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de duas mil pessoas estão desabrigadas nos arredores de Trípoli. A população está isolada e não consegue deixar a região. Para agravar a situação, os serviços de socorro também não conseguem acessar a área.

Nesta segunda-feira, bombardeios atingiram o aeroporto de Mitiga, no leste de Trípoli, o único que ainda estava funcionando na cidade. O aeroporto foi fechado, pois os ataques afetaram as pistas de pouso e decolagem.

Maria Ribeiro afirmou que "o aumento da violência está aumentando ainda mais a miséria de refugiados e migrantes arbitrariamente detidos em centros de detenção em áreas de conflito".

A coordenadora da ONU também disse que todas as partes têm obrigação, sob o direito internacional, de garantir a segurança de todos os civis e infraestrutura civil, incluindo escolas, hospitais e serviços públicos. Também são obrigadas a permitir o acesso desimpedido de toda a assistência humanitária às áreas afetadas.

A Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, disse que está “extremamente preocupada com a rápida com o agravamento da situação humanitária no país.”

A Acnur apela ao respeito das obrigações previstas no direito internacional humanitário, que garantem a segurança de todos os civis e infraestruturas civis e o acesso humanitário total, seguro e desimpedido.

A agência preparou itens essenciais para 500 famílias no sul de Trípoli e em Misrata, para responder às necessidades dos deslocados internos. Também está trabalhando para garantir a segurança dos refugiados que estão detidos em áreas onde existem confrontos.

Conflitos

O ENL, comandado pelo general ex-aliado de Muammar Kadafi, Khalifa Hafter, se recusa a reconhecer o Governo de Aliança Nacional. O conflito entre as facções continua escalando apesar das conversações que Haftar e o primeiro-ministro do governo em Trípoli, Fayez Sarraj, apoiado pela ONU, realizaram em fevereiro. 

Durante as negociações, as partes concordaram em unir as instituições estatais e realizar eleições gerais no país até o final do ano.

*Com ONU News e Ansa

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No entanto, as forças de Haftar confirmaram apenas 14 mortos

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