ONU liga príncipe saudita ao assassinato do jornalista Jamal Khashoggi

Em documento produzido após investigação de seis meses, enviada especial da ONU relata que 'existem elementos de provas que justificam uma investigação suplementar sobre a responsabilidade individual de altos funcionários sauditas'

Redação

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Roma (Itália)

A relatora sobre execuções extrajudiciais da ONU, Agnes Callamard, afirmou nesta quarta-feira (19/06) que existem provas confiáveis de que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e outros oficiais de alto escalão do país são responsáveis pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, morto em outubro de 2008 no consulado saudita em Istambul.

Em um documento de 101 páginas produzido após uma investigação de seis meses, a enviada especial relata que "existem elementos de provas que justificam uma investigação suplementar sobre a responsabilidade individual de altos funcionários sauditas, incluindo o príncipe herdeiro".

Segundo Callamard, é preciso ser realizada uma investigação mais aprofundada por um inquérito internacional independente e imparcial. Khashoggi era crítico assumido de Mohammed e foi assassinado após ser torturado. O corpo do jornalista foi esquartejado por funcionários sauditas e, até hoje, não foi localizado.

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Khashoggi havia ido até o local para obter documentos quando foi "brutalmente morto". Desde o ano passado, Riad forneceu várias versões sobre o crime, inclusive chegando a negar a morte do colunista do jornal Washington Post.

No entanto, logo depois, o governo admitiu o assassinato, mas afirmando que havia sido um acidente. Por fim, o país confirmou que o homicídio fora premeditado. Apesar da confirmação, as autoridades sauditas afirmam que não estavam agindo sob ordens do príncipe.

Callamard, por sua vez, pediu para que a comunidade internacional aumente as sanções contra Mohammed e realize o congelamento de seus ativos financeiros pessoais até que seja provado que ele não tem responsabilidade no crime. Até o momento, o governo saudita ainda não se pronunciou.

Ao todo, 11 pessoas não identificadas são julgadas pelo crime, sendo que cinco delas podem ser condenadas a pena de morte. No entanto, Callamard já pediu a suspensão da audiência, pois as normas processuais não foram cumpridas.

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