Macri descarta mudança em gabinete e culpa kirchnerismo por reação do mercado

Derrota de Macri nas eleições primárias da Argentina fez dólar disparar no país e derrubou a Bolsa de Buenos Aires

O presidente da Argentina Mauricio Macri afirmou nesta segunda-feira (12/08) que não irá mudar o gabinete de governo após a derrota que sofreu nas eleições primárias realizadas no último domingo (11/08). O mandatário ainda culpou a chapa vitoriosa de Aberto Fernández-Cristina Kirchner pelas reações negativas do mercado que fizeram o dólar disparar, subindo mais de 30% nesta segunda.

Em coletiva de imprensa realizada na Casa Rosada, sede do governo argentino, Macri disse que "essas mudanças [de gabinete] são feitas quando alguém ganha as eleições e começa um novo mandato e não faltando tão poucas semanas e de forma improvisada".

"Os votos que não nos acompanharam representam uma raiva acumulada do processo econômico duro a qual tivemos que recorrer pela herança que recebemos", disse o presidente que ainda espera que as eleições gerais de outubro sejam "uma boa oportunidade para demonstrar que a mudança continua".

Macri criticou os vencedores das PASO e disse que "a alternativa kirchnerista não tem a confiança do mundo". "Não podemos voltar ao passado porque o mundo vê isso como o fim da Argentina", disse.

"Eu não controlo os mercados, os mercados são pessoas que decidem investir. Para que pessoas queiram investir aqui [na Argentina] deveria haver uma autocrítica do kirchnerismo", afirmou.

Casa Rosada
Derrota de Macri nas eleições primárias da Argentina fez dólar disparar no país e derrubou a Bolsa de Buenos Aires

Por sua vez, o candidato vencedor, Alberto Fernández, afirmou que a chapa está "muito contente" com os resultados e lamentou "as mentiras" de Macri. "Lamentavelmente é o que acontece com um governo que não diz a verdade sobre a economia e um dia essa verdade aparece", disse.

Sobre o fato do presidente não ter ligado para Fernández após os resultados, o candidato vencedor ironizou o mandatário e disse que Macri "não me ligou durante todos estes anos, não acredito que tenha que me ligar agora".

Economia

A derrota de Macri nas eleições primárias da Argentina fez o dólar disparar no país e derrubou nesta segunda (12/08) a Bolsa de Buenos Aires, que chegou a registrar queda de 30% por volta do meio dia. A "vingança" do mercado pela vitória da chapa Alberto Fernández-Cristina Kirchner se fez sentir também no risco-pais, que ultrapassou os 900 pontos.

O dólar chegou a subir mais de 33% em relação à cotação da sexta-feira passada (09/08), chegando a $60 pesos por dólar. Este valor é $15 pesos maior do que o do último fechamento. O governo precisou intervir, vendendo US$ 100 milhões e conseguiu reduzir o preço da divisa para $58 pesos por volta das 15h.


Comentários