Hoje na História - 1964: Cinzas de líder da Resistência Francesa vão para o Panteão

Hoje na História - 1964: Cinzas de líder da Resistência Francesa vão para o Panteão

Max Altman

Em 19 de dezembro de 1964, por iniciativa do general Charles de Gaulle e do ministro da Cultura, André Malraux, as cinzas de Jean Moulin são transferidas para o Panteão da França na presença de inúmeros antigos resistentes. Malraux, em memorável discurso, prestou homenagem ao ex-comandante do CNR (Conselho Nacional da Resistência) bem como a todos os que lutaram contra a ocupação alemã.

Nascido em Béziers em 20 de junho de 1899, tornou-se figura emblemática da Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Moulin fez prova de uma coragem e determinação sem limites. Deve-se a ele a organização e a unificação dos resistentes no seio da CNR, naturalmente convencido de que esse era o seu dever de patriota.

Em 1917 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Montpellier. Em plena guerra mundial é mobilizado e obrigado a interromper seus estudos. Porém o armistício é assinado antes de entrar em combate, o que lhe permitiu retomar seu curso, diplomando-se em 1921.

Muito jovem, Jean Moulin, influenciado pelo pai, um socialista militante, demonstra profunda paixão pela política. Torna-se em 1925 o mais jovem sub-prefeito da França, em Albertville e depois em Châteaulin.

Em 1936, é designado chefe de gabinete do Ministério do Ar da Frente Popular (Front Populaire). No curso da Guerra Civil na Espanha não hesita em dar seu apoio aos republicanos. Suas qualidades e sua dedicação lhe valem ser nomeado em julho de 1939 prefeito de Chartres, pouco antes da invasão de seu país pelos alemães.

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A França é invadida em 10 de maio de 1940. Jean Moulin, então prefeito de Eure-et-Loir, recebe uma declaração dos ocupantes nazistas de que um grupo de atiradores senegaleses pertencentes ao exército francês tinha cometido crimes graves. Consciente da inocência dos acusados, Moulin recusou-se a assinar o documento.

Convencido de seu dever de lutar contra o ocupante, vai a Londres para se encontrar com De Gaulle em 1941. Não tardam em estabelecer confiança mútua e a Moulin é atribuída a pesada tarefa de unificar a Resistência no sul da França.

Regressa ao país na noite de 1º a 2 de janeiro de 1942. Assume diferentes identidades, de agricultor a diretor de uma galeria de artes. Com grande esforço, tenta reunir os distintos movimentos de resistência sob a autoridade de De Gaulle. Contato seus chefes e depois de criar o Exército Secreto (AS – Armée Secrete) põe em ação os diversos serviços: informação, imprensa, paraquedismo, transmissões, comitê geral de estudos, infiltração nas administrações públicas...

Consegue reunir os 3 grandes movimentos de resistência: Combate, de Henri Frenay, Franco-atirador, de Jean-Pierre Levy e Libertação-Sul de Emmanuel d’Astier. Junta-os no Movimentos Unidos de Resistência (MUR). Todavia, as divergências entre os chefes resistentes não lhe facilitam a tarefa.

Após um breve retorno a Londres no começo de 1943, é encarregado de organizar o CNR. Tratava-se de reunir todas as organizações, movimentos, partidos políticos, sindicatos sob uma única entidade política. Jean Moulin assume a presidência.

A primeira reunião do CNR ocorre em 27 de maio de 1943, em Paris. No entanto, os conflitos no seio da Resistência não se atenuam. Alguns queriam até derrubar Jean Moulin da chefia. Quando o comandante do AS, general Delestraint, é preso pelos nazistas, Moulin organiza em caráter de urgência uma reunião dos responsáveis militares em Caluire.

Em 21 de junho de 1943, a Gestapo invade o local da reunião e prende todos os participantes. A traição ou delação parece evidente. Jean Moulin é levado preso a Lyon e torturado durante vários dias. Apesar dos sofrimentos inomináveis, jamais forneceu qualquer informação sobre o movimento. Morreu quando de sua transferência para a Alemanha em 8 de julho de 1943, aos 44 anos.


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