Terça-feira, 27 de janeiro de 2026
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A instalação de dispositivos “antimendigos” em prédios de alto padrão no centro de Londres tem despertado uma série de protestos nas redes sociais. Esse tipo de alteração arquitetônica posta em prática para afastar moradores de rua e pedintes de certos locais da cidade é questionado pelos internautas, que classificam os dispositivos de “monstruosidade” e “absurdo”.

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A polêmica começou depois que uma foto flagrou os pequenos espetos pontiagudos embutidos na fachada de um conjunto de flats, instalados para espantar mendigos e impedi-los de dormir no local. Compartilhada à exaustão na web, a foto viralizou e instigou o debate das medidas “antimendigos”. Os mais críticos afirmam que estão tratando os desabrigados “como pombos”, comparando os dispositivos intalados aos utilizados para afastar as aves.

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“Tinha uma pessoa sem-teto dormindo aqui cerca de um mês e meio atrás. Aí, há umas duas semanas, eles instalaram esses objetos. Acho que é para espantá-los”, disse ao jornal britânico The Telegraph uma mulher que vive no conjunto de flats.

Pequenos espetos de metal foram colocados na fachada de um conjunto de flats para impedir que moradores de rua e pedintes permaneçam no local

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Sob a hashtag “#AntiHomelessSpikes” (“espetos antimendigos”), usuários do Twitter começaram a compartilhar fotos de outros locais da cidade em que esse tipo de dispositivo pode ser encontrado. Segundo instituições de caridade que atuam na área, a prática não é nova; pelo contrário, vem sendo usada há décadas para afugentar moradores de rua.

Após a polêmica, cartazes de protesto puderam ser vistos na fachada do flat: “Casa e não espetos”:

No vídeo abaixo, é possível ver uma investigação feita em 2003 por uma produtora francesa sobre “arquitetura antimendigo” na capital Paris. Aqueles que resistem são chamados de faquirs, em referência ao termo do islamismo que diz respeito a pessoas pobres que peregrinavam por diferentes povoados praticando exercídios de resistência à dor, como deitar-se numa cama de pregos.

“É um escândalo que qualquer pessoa tenha que dormir na rua no Reino Unido em pleno século XXI. Mesmo assim, nos últimos três anos o número de moradores de rua subiu fortemente no país inteiro, chegando a impressionantes 75% em Londres. Por trás desses números, há pessoas reais lutando contra a falta de moradia e cortes em benefícios sociais que os ajudariam a reconstruir suas vidas”, assinalou Katharine Sacks-Jones, chefe da Crisis, ONG britânica que cuida de moradores de rua no país.