Ladrões levam 1 bilhão de euros em joias de museu em Dresden

Coleções do século 18, sem equivalente na Europa, seriam impossíveis de serem vendidas; criminosos podem ter sabotado luz da área no horário do roubo

Redação

Deutsche Welle Deutsche Welle

Bonn (Alemanha)

Ladrões realizaram um roubo bilionário na madrugada desta segunda-feira (25/11) no museu Grünes Gewölbe (Abóbada Verde), no Palácio Real em Dresden, levando, entre outros artefatos, três conjuntos de joias do século 18 consideradas de valor incalculável.

O museu possui uma das maiores coleções de tesouros barrocos na Europa e abriga em torno de 4 mil objetos de alto valor feitos de ouro, prata, pedras preciosas e marfim, entre outros materiais valiosos.

A polícia foi alertada por volta das 5 horas da manhã. Não houve prisões, mas as autoridades examinam imagens das câmeras de segurança que detectaram dois suspeitos na sala das joias. Eles entraram no local por uma janela após cortarem uma grade e quebrarem o vidro. Não está excluída a participação de outras pessoas no roubo.


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O tesouro pertencia ao príncipe da Saxônia Augusto, o Forte (1670-1733). Os três conjuntos de joias barrocas roubados compunham-se de dezenas de gemas. "Não podemos estimar um valor, porque é algo impossível de ser vendido", informou a diretora de coleções de arte de Dresden, Marion Ackermann. "O valor material não reflete o significado histórico."

É possível que o abastecimento de energia elétrica do museu tenha sido sabotado antes da invasão ao local. Segundo a empresa de energia, um incêndio numa caixa de junção provocou uma interrupção no abastecimento elétrico da região. As luzes das ruas ficaram apagadas no momento do crime, o que prejudicou a iluminação em frente à janela utilizada pelos criminosos para entrar no local. A ligação entre a pane e o roubo ainda está sendo investigada.

picture-alliance/dpa/S. Kahnert
Policiais realizam perícia após roubo de joias no museu Abóboda Verde de Dresden

A imprensa alemã relatou que o valor dos artefatos roubados seria em torno de 1 bilhão de euros. De acordo com o jornal Bild, este seria, provavelmente, "o maior roubo de artes desde a Segunda Guerra Mundial".

O diretor do museu, Dirk Syndram, frisa que as coleções possuem "valor cultural inestimável", em particular se estiverem completas. "Nenhuma outra coleção na Europa possui joias ou conjuntos de joias preservadas nessa forma e quantidade. O valor está realmente no conjunto."

A polícia destacou uma equipe especial de investigadores para o caso, disse o secretário do Interior da Saxônia, Roland Woeller: "Faremos tudo ao nosso alcance não só para recuperar os tesouros culturais, mas também para capturar os criminosos."

Os agentes da lei alertaram as autoridades dos estados vizinhos e chegou a bloquear estradas em busca do veículo dos assaltantes. Um carro incendiado foi encontrado, mas ainda não há indícios de ligação com o crime.

Um dos itens mais conhecidos e preciosos do museu, o Diamante Verde de Dresden, de 41 quilates, possivelmente originário do Brasil ou da Índia, está atualmente emprestado para uma exposição no Museu Metropolitano de Arte de Nova York, juntamente com outros itens de alto valor.

Entre 1723 e 1729, Augusto, o Forte transformou a sala do tesouro do palácio num museu para as joias da coroa. No espaço – que ficou conhecido por Abóbada Verde devido à cor das paredes – o monarca reuniu uma das coleções de joias reais mais valiosas da Europa, além de peças de marfim, bronze e pedras preciosas.

O edifício, danificado nos bombardeios que devastaram a cidade durante a Segunda Guerra Mundial, foi restaurado e reaberto em setembro de 2006, logo se tornando um dos principais pontos turísticos de Dresden.

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