Justiça grega nega extradição de oito oficiais turcos acusados de envolvimento em tentativa de golpe de Estado

Defesa alegou que militares não teriam um julgamento justo garantido na Turquia e poderiam ser alvo de tortura; milhares de pessoas foram presas desde tentativa frustrada de golpe em julho de 2016

A Suprema Corte da Grécia negou nesta quinta-feira (26/01) a extradição de oitos oficiais turcos foragidos de seu país, acusados de terem relação com a tentativa fracassada de golpe de Estado na Turquia em julho do ano passado.


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A Suprema Corte aceitou os argumentos da defesa, que afirmou que os militares não teriam um julgamento justo garantido na Turquia e poderiam ser alvo de tortura e, inclusive, perder suas vidas.

A decisão sobre o destino dos três majores, três capitães e dois sargentos turcos era esperada na segunda-feira, mas a audiência foi adiada porque um dos juízes da Suprema Corte ficou doente.

Em resposta à decisão, a Turquia anunciou que revisará suas relações com a Grécia e emitiu ordens de prisão para os militares. "Nós protestamos contra esta decisão que impede que esses indivíduos que ameaçaram a vida de nosso presidente e tomaram um papel ativo em uma tentativa de golpe que matou 248 dos nossos cidadãos de comparecer perante o Judiciário turco", disse o Ministério das Relações Exteriores da Turquia em uma declaração.

Agência Efe

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Os oficiais fugiram da Turquia na manhã de 16 de julho, com a tentativa do golpe em plena efervescência. Eles usaram um helicóptero para chegar à cidade grega de Alexandrópolis, onde solicitaram asilo político.

Após serem presos pelas autoridades gregas, os oito acusados não só negaram ter participado da tentativa de golpe, mas também garantiram que só souberam do levante por meio de familiares. Durante o julgamento, eles explicaram que só decidiram fugir depois terem sido atacados enquanto usavam o helicóptero para auxiliar os feridos.  

Os promotores gregos tinham solicitado não extraditar os militares, uma postura defendida por vários juristas na Grécia, assim como associações de defesa dos direitos humanos. Após a decisão, o tribunal também pediu a libertação imediata dos oito presos.

A Turquia exigiu a extradição dos militares, um assunto que prejudicou as já delicadas relações diplomáticas entre os governos dos dois países, que também têm um conflito de interesses no Chipre, país dividido devido a conflitos étnicos entre a minoria turca (18% da população) e a maioria grega, e que sofreu intervenção militar da Turquia em 1974.

Segundo informações do governo da Turquia, mais de 40 mil pessoas foram presas em conexão com a tentativa frustrada de golpe de Estado de 15 de julho de 2016. Em expurgos levados a cabo entre militares, policiais, servidores públicos e membros do Judiciário, 79.900 pessoas foram afastadas de suas funções públicas.

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