Rússia e EUA apoiam investigação sobre suposto ataque químico, mas discordam sobre futuro de Assad

Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, recebeu Rex Tillerson, secretário de Estado dos EUA, em Moscou; potências se opõem sobre futuro de governo sírio, mas concordam em investigação sobre incidente com armas químicas do dia 4 de abril

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, apoiaram nesta quarta-feira (12/04) uma investigação do ataque químico da passada semana na província síria de Idlib, mas discordaram sobre o futuro do presidente Bashar al Assad.


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"Vemos que os Estados Unidos estão dispostos a apoiar tal investigação", disse Lavrov em coletiva de imprensa conjunta com Tillerson depois que ambos se reuniram no Kremlin com o presidente Vladimir Putin.

Lavrov afirmou que a Rússia defende que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) inicie "imediatamente" uma investigação no terreno.

O ministro russo lembrou que a Síria já deu autorização para a entrada de especialistas internacionais em seu território para que examinem tanto o local do ataque (Khan Sheikhoun), como o aeroporto do qual supostamente foi lançado (Shayrat) e que foi depois bombardeado pelos EUA.

Agência Efe

Rex Tillerson, secretário de Estado dos EUA, e Sergei Lavrov, ministro de Relações Exteriores da Rússia, se encontraram em Moscou

A esse respeito, Tillerson assegurou que, na opinião de Washington, o governo de Assad planejou e efetuou o ataque químico no qual morreram quase 100 pessoas no último dia 4 de abril.

O secretário de Estado norte-americano afirmou ainda que tal ataque "foi somente um dos casos relacionados com o uso de armas químicas por parte do regime de Assad. Foram mais de 50 incidentes".

Quanto ao futuro de Assad, Tillerson disse que esse assunto foi tratado e voltou a afirmar que "o reinado da família de Assad está chegando a seu fim", e que a comunidade internacional nunca aceitará que o líder sírio assuma algum papel no futuro desse país.

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Ele também ressaltou que os EUA consideram "muito importante que a saída de Assad ocorra de maneira estruturada e organizada, para que todos os grupos (étnicos sírios) sejam representados na mesa de negociações".

Tillerson opinou que a Rússia, como "aliado mais próximo" de Damasco, deve fazer Assad compreender essa realidade irrefutável, e disse que ambas partes concordam na necessidade de uma Síria "unida e estável".

Em resposta, o chefe da diplomacia russa lembrou o ocorrido quando os EUA decidiram promover a derrocada dos líderes da antiga Iugoslávia, Líbia e Iraque, e salientou que a queda de Assad beneficiaria apenas o Estado Islâmico.

Além disso, Lavrov comentou que Putin assegurou hoje a Tillerson no encontro trilateral no Kremlin sua disposição a retomar a cooperação militar na Síria, desde que os EUA confirmem que o objetivo é a luta contra os grupos terroristas.

A Rússia suspendeu o acordo bilateral para evitar incidentes aéreos sobre a Síria depois que os EUA bombardearam o território do país no último dia 7 de abril.

Por fim, Tillerson admitiu que as relações entre ambos países está em um nível "muito baixo" e que isso não é possível entre as duas grandes potências nucleares.

"Temos que pôr fim à permanente degradação de nossas relações", declarou Tillerson, antecipando o acordo para criar grupos de trabalho com o fim de normalizar as relações entre Moscou e Washington.

Lavrov e Tillerson, que não chegaram a abordar as sanções ocidentais contra a Rússia, concordaram que a prioridade de ambos os países é a luta antiterrorista e combater o Estado Islâmico.

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