Para que serve o plebiscito convocado pela oposição venezuelana

Oposição rejeita diálogo com governo e tenta boicotar a Assembleia Nacional Constituinte com plebiscito extraoficial convocado de maneira autônoma

Nesta segunda-feira (17/07), a imprensa tradicional noticia, com destaque, que a oposição ao governo de Nicolás Maduro, na Venezuela, realizou uma consulta popular sobre a Assembleia Nacional Constituinte.


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O plebiscito extraoficial foi convocado de maneira autônoma por oposicionistas que rejeitam qualquer possibilidade de diálogo com o governo, com objetivo de enfraquecer a Constituinte. Como a consulta popular não obedeceu aos trâmites legais e, portanto, não teve o respaldo do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), não é possível sequer saber a veracidade dos números apresentados.

Não há uma instituição que assegure que uma pessoa votou uma única vez, por exemplo.

Sob o argumento de que os eleitores poderiam ser perseguidos, líderes da oposição queimaram as cédulas de votação no final do dia.

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Foram três as perguntas: se aprova ou rejeita a Assembleia Constituinte, se deseja a convocação de eleições para a renovação dos poderes públicos e se gostaria de que todos os funcionários públicos e as Forças Armadas obedecessem e defendessem a Constituição de 1999.

“Eles podem perguntar o que quiserem, porque é um exercício político. O que não se pode confundir, fazendo pensar que isso possa ter algum valor jurídico”, comentou a presidente do CNE, Tibisay Lucena, em entrevista coletiva.

O que a oposição anuncia é que “Maduro foi revogado com resultado de plebiscito” ou “98% rejeitam constituinte de Maduro”.

A coalização oposicionista MUD (Mesa da Unidade Democrática) já declarou que o plebiscito é o marco zero de uma escalada em protestos com objetivo de bloquear as eleições para a Constituinte, no próximo 30 de julho.

Com o resultado de um plebiscito extraoficial e declarações de que novos protestos virão, a oposição reforça seu boicote à Constituinte, alternativa oferecida pelo governo para solucionar a crise política.

Alguns setores da oposição não querem o diálogo, segundo eles mesmos já afirmaram. O exemplo mais recente é o do deputado venezuelano Juan Requesens, membro do partido Primero Justicia. Publicamente, disse que os protestos violentos são uma estratégia necessária para conseguir uma invasão estrangeira no país e derrubar o governo.

No mesmo dia em que a oposição convocou seu plebiscito, o CNE realizou uma simulação do processo eleitoral de 30 de julho, com objetivo de calcular o tempo médio de votação e para que o eleitorado possa se familiarizar com as ferramentas de votação.

(*) Publicado em Nocaute

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