Na Lava Jato, me preocupa que primeiro chamem alguém de bandido e, depois, busquem o crime, diz Lula

Para o ex-presidente, a única chance de reverter o quadro de crise política é uma mudança na política econômica 'que gere expectativa e esperança para a sociedade brasileira'; veja vídeo da entrevista com Glenn Greenwald

Para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a teoria do domínio do fato - usada durante o julgamento do Mensalão no caso de José Dirceu que, mesmo sem provas, foi incriminado com a tese de que deveria ter conhecimento das irregularidades devido ao cargo que ocupava na época - está sendo usada também na operação Lava Jato, conduzida pela Polícia Federal.

Em entrevista concedida ao jornalista Glenn Greenwald e publicada pelo site The Intercept nesta segunda-feira (11/04), Lula comentou: “sobre a Lava Jato, o que me preocupa é a tese da teoria do domínio do fato. É a tese que primeiro você carimba alguém de bandido, aí vai procurar crime para jogar nas costas dele”.

Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

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De acordo com o ex-presidente, "todo santo dia aparece alguém dizendo ‘eles [a Lava Jato] querem pegar o Lula! Eles querem pegar o Lula! É o Lula que eles querem pegar!’". Com relação ao cenário político do país, ele considera que “a única chance de reverter esse quadro é a gente apontar com uma política econômica que gere expectativa e esperança para a sociedade brasileira. Aquelas pessoas que tinham aprendido a subir um degrau na escada da escala social não podem cair. É por isso que tem que ter uma política econômica voltada para estimular o financiamento, o crédito, o consumo, a micro indústria, a média indústria, ou seja, fazer algo que faça a roda gigante girar para frente”.

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Durante a conversa, Lula falou sobre como a corrupção atinge vários partidos políticos no Brasil, sobre a campanha de opositores em prol do impeachment da presidente Dilma Rousseff, as acusações contra ele e o papel dos grandes meios de comunicação como convocadores dos protestos contra Dilma. Ele também se posicionou contra a nova lei brasileira antiterrorismo e o financiamento privado de campanhas políticas, além de se declarar a favor da legalização do aborto e do avanço nos direitos da população LGBT.

Veja o vídeo com a íntegra da entrevista:

Entrevista Exclusiva de Glenn Greenwald com ex-Presidente Lula from The Intercept on Vimeo.



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