'Tragédia para a cultura', diz revista francesa; veja repercussão internacional do incêndio no Museu Nacional

Para o britânico The Guardian, houve perda 'incalculável' para uma instituição que tinha 200 anos; veja como a imprensa mundial tratou do assunto

Redação

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Atualizada às 15:05

O incêndio no Museu Nacional, ocorrido neste domingo (02/09) no Rio de Janeiro, foi destaque nos principais veículos de comunicação do mundo. Emissoras de TV, jornais e revistas em todo o globo destacaram que o local contava com mais de 20 milhões de itens e chamaram a destruição do prédio de “tragédia”.

A revista francesa Paris Match publicou as “impressionantes imagens do museu destruído pelo fogo” e falou “tragédia para a cultura”. Já o site do canal de TV France 24 também mostrou as cenas do “impactante” incêndio e lembrou que fósseis de dinossauros também faziam parte da coleção do museu.

Na Espanha, o site do jornal El Pais também reportou o incêndio a tragédia e lembrou que o fogo não causou vítimas por ter começado após o encerramento das visitas. A publicação espanhola destacou também a falta de conservação e divulgou dados da imprensa brasileira sobre a falta de verba dos últimos quatro anos e dos “€ 100 milhões” que eram necessários para a manutenção.

O italiano Corriere della Sera afirma que o acervo já "não existe mais", e ressalta a falta de manutenção do "museu mais antigo do Brasil".

O site Cubadebate falou da dificuldade dos bombeiros de apagar as chamas, que tomaram todo o prédio. “Imagens aéreas mostravam o majestoso edifício, na zona norte do Rio de Janeiro, devorado por enormes chamas, sem que a ação dos bombeiros destacados para o lugar conseguisse sufocá-las”.

A britânica BBC também publica, com destaque na capa, o devastador incêndio que consumiu, entre milhares de objetos, a Luzia, o mais antigo esqueleto humano encontrado nas Américas, que remete a 12 mil anos, e representa uma jovem entre 20 e 24 anos.

Reprodução
Incêndio no Rio foi destaque na imprensa internacional (Vitor Abdala/Agência Brasil)

A emissora multiestatal teleSUR destacou uma fala do ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, que afirmou que o incêndio foi causado por “anos de negligência”. Segundo o ministro, havia um plano para recuperação da infraestrutura museológica do país, mas, no caso do Museu Nacional, “não houve tempo para que começasse a acontecer e pudéssemos evitar a tragédia”.

O jornal chileno El Mercurio traz estampada na capa uma foto do museu em chamas e conclui que o Brasil "perde dois séculos de história". O periódico peruano El Comercio ressalta a majestosidade do prédio, que foi devorado pelas chamas, "sem que os bombeiros conseguissem controlá-las".

O português Público traz o incêndio como matéria principal, na capa, com uma galeria de fotos das chamas consumindo o palácio. Para o britânico The Guardian, houve perda "incalculável" para uma instituição que tinha 200 anos. O jornal lembrou que o museu abrigava peças egípcias, da civilização greco-romana e fósseis encontrados no Brasil.

Por sua vez, o jornal argentino Clarín diz que o fogo “devorou” o Museu Nacional e destacou a fala de um ex-diretor do órgão, de que “não iria ficar nada”. “As chamas estão altíssimas e o fogo está por todos os lados. O palácio vai queimar todo, assim como as coleções, as múmias, tudo”.

New York Times lembrou da situação financeira do museu. “O museu ficou sem conservação nos últimos anos, enquanto o próprio país lutava contra uma economia quebrada e instabilidade política. Segundo meios de comunicação locais, professores que trabalhavam no museu precisaram arrecadas dinheiro para ajudar a pagar por serviços de limpeza.”

O Washington Post ressaltou a batalha dos bombeiros contra o fogo no museu que "abrigava artefatos do Egito, arte greco-romana e alguns dos primeiros fósseis encontrados no Brasil".

A emissora de televisão norte-americana CNN lembrou que o maior meteorito já encontrado no Brasil também estava abrigado no museu. Ele pesava 5,36 toneladas e foi encontrado em 1784.

(*) Com RFI e Agência Brasil

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