Cerca de mil migrantes morreram tentando atravessar Mediterrâneo em 2019, aponta ONU

Desde 2014, mais de 15 mil pessoas perderam a vida tentando a travessia; Acnur apontou para situação perigosa em centros de acolhimento nas ilhas gregas e na Líbia

Pelo menos mil migrantes já morreram em 2019 tentando atravessar o Mar Mediterrâneo, apontou nesta terça-feira (01/10) a Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU. A agência confirmou a morte de 994 pessoas e está verificando relatos de 40 vítimas fatais em um naufrágio na costa do Marrocos no último final de semana.

Em nota, o porta-voz da OIM, Leonard Doyle, disse que "durante uma onda crescente de antimigração na política de todo o mundo, esse número chocante deve-se, em certa medida, a uma atitude de hostilidade total a migrantes que fogem da violência e da pobreza".

Embora os índices ainda sejam altos, a OIM aponta uma queda no número de vítimas desde 2014. Porém, segundo a agência, os registros caíram porque menos pessoas tentam atravessar, não porque o trajeto esteja mais seguro. "Alternativas seguras são urgentemente necessárias para os migrantes que buscam uma vida melhor", afirmou o órgão. Desde 2014, mais de 15 mil pessoas perderam a vida tentando a travessia.

Ilhas gregas

Ainda nesta terça-feira, a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) pediu que a Grécia faça a transferência de milhares de migrantes das ilhas Egeias para locais mais seguros. Segundo a agência, estes migrantes estão em "centros de recepção superlotados".

Em setembro, as ilhas receberam 10.258 novos migrantes, especialmente de famílias afegãs e sírias. Esse é o maior número desde 2016. Nesse momento, mais de 30 mil migrantes estão vivendo nas ilhas gregas. Para a Acnur, "o apoio da União Europeia é crucial".

Em 2019, a Grécia registrou a maior parte das chegadas na região do Mediterrâneo. De um total de 77,4 mil migrantes, o país acolheu 45,6 mil pessoas, mais do que Espanha, Itália, Malta e Chipre juntos.

A situação nas ilhas de Lesbos, Samos e Kos é considerada crítica. O centro de Moria, em Lesbos, ultrapassou em cinco vezes sua capacidade. Em um assentamento informal próximo, 100 pessoas compartilham um único banheiro.

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Desde 2014, mais de 15 mil pessoas perderam a vida tentando a travessia

A Acnur afirma que "as tensões continuam altas em Moria", após protestos dos migrantes. No último domingo (29/09) um incêndio acabou matando uma mulher e houve confrontos com a polícia.

Em Samos, o centro de recepção Vathy abriga oito vezes sua capacidade. Em Kos, 3 mil pessoas estão vivendo em um local com capacidade para 700.

Segundo a Acnur, "são necessárias medidas urgentes", como acelerar os planos de transferência de mais de 5 mil solicitantes de asilo já autorizados e criação de novos locais de acomodação. 

A agência da ONU também alerta para a "situação difícil das crianças desacompanhadas". Existem mais de 4,4 mil menores nessa situação e apenas 25% está em um abrigo apropriado para a idade.

Líbia

Na Líbia, a OIM continua pedindo o encerramento do centro de detenção de Tajoura, onde 53 migrantes morreram em junho durante um ataque aéreo.

O chefe da missão da OIM na Líbia, Federico Soda, disse que os planos do governo para fechar este e outros dois centros são bem-vindos, mas "precisam ser concretizados para evitar que tragédias aconteçam novamente".

Em 2019, mais de 6,2 mil migrantes foram resgatados no mar e retornados à Líbia. Muitos foram colocados em detenção arbitrária e outros foram libertados em áreas onde perdura o conflito armado. Segundo a OIM, mais de 100 mil migrantes no país permanecem vulneráveis, correndo o risco de sequestro e tráfico.

*Com ONU News

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