Terça-feira, 6 de outubro de 2026
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Pesquisa de boca de urna realizada pela Fundação Jubileo e divulgada na madrugada desta segunda-feira (19/10) indica a vitória de Luis Arce Catacora, candidato do partido Movimento ao Socialismo, no primeiro turno das eleições presidenciais na Bolívia com 53% dos votos. Em primeiro discurso após resultados preliminares, o vitorioso afirmou que o MAS recuperou a democracia no país.

“Recuperamos a democracia e a esperança. Vamos redirecionar nosso processo de mudança sem ódio, defendendo e superando nossos erros”, disse Arce. 

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Segundo o jornal El Deber, os dados foram realizados em uma amostragem de 4.744 mesas de votação e tem uma margem de erro de 1,48%, com nível de confiança de 95%. Nesta mesma boca de urna, Carlos Mesa, principal opositor de Arce na disputa eleitoral, aparece em segundo lugar com 30,8%, enquanto Luis Fernando Camanho ficou em terceiro, com 14,1%.

De acordo com as leis eleitorais da Bolívia, para a eleição ser definida já no primeiro turno, o vencedor deve ter 50% mais um dos votos ou conquistar mais de 40% e abrir mais de 10 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado.

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“Vamos governar para todos os bolivianos, vamos construir um governo de unidade nacional, vamos construir a unidade em nosso país. Ao longo deste dia, estamos recuperando a certeza”, disse ao lado de David Choquehuanca, vice na chapa, e de apoiadores. 

Outro levantamento de boca de urna feito pela empresa Ciesmori para a Unitel, inicialmente apresentado como contagem rápida, também indicou a vitória de Arce. Os resultados dessa pesquisa são bastante próximos de contagens paralelas, realizadas por partidos envolvidos na disputa. 

Nessa segunda, com 95% do padrão eleitoral, o candidato do MAS obteve 52,4% dos votos. Segundo o levantamento da empresa, Carlos Mesa ficou com 31,5% e Fernando Camacho, com 14,1%. 

O periódico afirmou que, segundo a contagem rápida, Arce ganhou em cinco dos nove departamentos do país: em La Paz, Cochabamba, Potosí, Oruro e Pando. Mesa, por sua vez, ganhou em três regiões e Camacho saiu vitorioso em Santa Cruz. 

Com os dados da Fundação Jubileo e da Ciesmori, o MAS pode ter maioria no Senado boliviano, levando 19 cadeiras nessa instância do Legislativo. Na Câmara dos Deputados, a disposição de representantes ainda está pendente. O resultado será fornecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A contagem dos votos pelo órgão eleitoral será feita apenas pelo mecanismo definitivo de apuração do próprio TSE, que pode levar dias para terminar. Esse cenário ocorre após o tribunal cancelar na noite de sábado (17/10) o sistema de Difusão de Resultados Preliminares (DIREPRE), que prometia uma apuração parcial dos resultados. 

Pesquisas apontam que candidato do MAS obteve 53% dos votos; presidente autoproclamada reconhece resultado eleitoral

Reprodução/LuchoXBolivia

Lucho Arce discursou após a divulgação das pesquisas ao lado de seu vice e de apoiadores

Oposição

O candidato à presidência da Bolívia Carlos Mesa, principal nome da direita na disputa, reconheceu a vitória de Arce nas eleições presidenciais bolivianas. Segundo o opositor, que foi um dos apoiadores do golpe de Estado de 2019, “resultado dessa contagem rápida é muito contundente e muito ampla”.

“Diferença entre o primeiro candidato e nós, do Comunidade Cidadã, é ampla e nos cabe, como corresponde a quem acredita na democracia, reconhecer que houve um ganhador nessa eleição”, disse o direitista, que ficou em segundo lugar. 

A autoproclamada presidente após o golpe de Estado contra Evo Morales, Jeanine Añez, reconheceu o resultado eleitoral e a tendência demonstrada pelas pesquisas preliminares. 

Em seu Twitter, parabenizou Arce e Choquehuanca e pediu para que eles “governem pensando na Bolívia e na democracia”. “Ainda não temos uma contagem oficial, mas com base nos dados de que dispomos, o Sr. Arce e o Sr. Choquehuanca venceram as eleições. Parabenizo os vencedores e peço que governem pensando na Bolívia e na democracia”, disse.

Reverter o golpe

O ex-ministro da Economia Luis Arce, candidato do MAS à presidência, era o favorito na disputa pretendendo e podendo reverter o golpe de Estado de 2019. Tendo como candidato a vice o ex-chanceler David Choquehuanca, Lucho Arce (como carinhosamente é chamado pelos bolivianos) tinha chances de ser eleito  no primeiro turno.

A escolha de Arce, um economista de 57 anos de idade, para ser o candidato do MAS nessas eleições se deu por conta de seu reconhecido trabalho à frente do Ministério da Economia, sendo constantemente conectado aos avanços econômicos que a Bolívia alcançou durante os anos de governo Morales.

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