Hoje na História: 1809 - Morre o compositor austríaco Franz Joseph Haydn

Haydn foi um dos mais importantes músicos do período clássico, formando a "Trindade Vienense" com Mozart e Beethoven

Max Altman

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Franz Joseph Haydn, um  dos mais importantes compositores do período clássico, morre em Viena em 31 de maio de 1809, aos 77 anos. Personificou o chamado "classicismo vienense" ao lado de Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven, formando a chamada "Trindade Vienense". É considerado um dos compositores mais importantes e influentes da história da música erudita ocidental com uma carreira que cobriu desde o fim do Barroco ao início do Classicismo. Tendo vivido a maior parte da sua vida na Áustria, Haydn passou quase toda a sua carreira como músico de corte para a rica família dos Eszterházy. Isolado de outros compositores, foi, segundo ele próprio, “forçado a ser original”. O seu gênio foi amplamente reconhecido ainda em vida.

Ainda que não tivesse sido admirado pela geração romântica, que o considerava excessivamente ligado à tradição barroca, o certo é que sem a sua contribuição à obra de Mozart e Beethoven e, após estes, à de Schubert e Mendelssohn, estes nunca teriam sido o que foram. De resto, deve-se a Haydn o definitivo estabelecimento da forma sonata e de gêneros como a sinfonia e o quarteto de cordas que se mantiveram vigentes, sem modificações, até as primeiras décadas do século 20.

Biografia

Nascido no seio de uma humilde família, em Rohrau, Áustria, em 31 de março de 1732, o pequeno Haydn recebeu as primeiras lições do pai que cantava acompanhando-se da harpa. Dotado de bela voz, foi enviado em 1738 a Hainburg e dois anos depois a Viena, onde ingressou no coro da catedral de Santo Estevão, aperfeiçoando aos poucos seus conhecimentos musicais.

Quando mudou de voz, e após breve período como assistente do compositor Nicola Porpora, passou a servir como mestre-capela na residência do conde Morzin, para quem compôs suas primeiras sinfonias e divertimentos.

Em 1761 se produziria uma guinada decisiva na carreira do jovem músico. Foi nesta época que os príncipes de Esterházy o tomaram a seu serviço. Haydn tinha a sua disposição uma das melhores orquestras da Europa, para a qual escreveu a maior parte de suas obras orquestrais, operísticas e religiosas.

O falecimento, em 1790, do príncipe Nikolaus e a decisão de seu sucessor, Paul Anton, de dissolver a orquestra da corte levou a que Haydn, ainda que sem abandonar seu cargo de mestre capela, instalasse sua residência em Viena. Nesse ano o músico realizou sua primeira viagem a Londres. Na capital britânica, além de apresentar suas 12 mais recentes sinfonias, teve oportunidade de ouvir os oratórios de Haendel, cuja marca é perceptível em sua própria aproximação ao gênero com “A Criação” e “As Estações”.

Em 1794, o novo príncipe de Esterházy, Nikolaus II, o trouxe de volta a seu serviço. Para ele Haydn escreveu suas seis últimas missas, entre as quais se destacam as célebres Missa Nelson e Missa Maria Teresa. Viveu em Viena os derradeiros anos de sua existência, em meio ao reconhecimento e o respeito de todo o mundo musical.

Legado

Haydn é considerado o pai da sinfonia clássica e do quarteto de cordas, além de ter escrito muitas sonatas para piano, trios, divertimentos e missas, que se tornaram a base do estilo clássico de composição de música erudita. O desenvolvimento da forma-sonata de um esquema rígido em uma maneira sutil e flexível de expressão musical, que dominou o pensamento musical clássico, deve-se quase que plenamente a Haydn.

A contribuição de Haydn foi transcendental num momento em que se assistia à aparição e consolidação das grandes formas instrumentais. Precisamente graças a ele, duas dessas formas mais importantes, a sinfonia e o quarteto de cordas, adotaram o esquema de quatro movimentos que até o século 20 as caracterizou e definiu, estruturado segundo uma forma sonata baseada na exposição e desenvolvimento de dois movimentos de temas melódicos aos quais se seguiam outro lento em forma de ária ou minueto e finalmente um rondó conclusivo.

Foi Haydn quem conferiu à sinfonia e ao quarteto uma coerência e um sentido que superavam o puro divertimento galante do período anterior. Se transcendental foi seu papel nesse campo, não menor foi o que teve no terreno da instrumentação, em que seus inúmeros achados contribuíram decisivamente na ampliação das possibilidades técnicas da orquestra sinfônica moderna.

Haydn era conhecido entre seus contemporâneos pela sua personalidade tranquila e otimista. Tinha um apurado senso de humor, que pode ser apreciado em sua música, como a Sinfonia nº 45 em fá sustenido menor, chamada “A Despedida”, em que fez com que os músicos fossem parando de tocar um de cada vez, fechassem a partitura e saíssem da sala, até que só sobrassem dois únicos executantes no final, como forma de mostrar ao príncipe que eles faziam jus a um tratamento mais condigno, visto que eram considerados meros serviçais do palácio. Em alguns casos, introduzia uma nota forte súbita, para evitar que os espectadores dormissem durante o concerto.

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