Governo da Colômbia só cumpriu 12 das 34 medidas do acordo de paz com FARC, diz comissão

Na semana passada, o hoje partido político FARC anunciou suspensão de sua campanha presidencial por conta das ameaças e atos violentos cometidos contra o grupo

Redação

0

Todos os posts do autor

A Comissão Internacional de Verificação dos Direitos Humanos na Colômbia afirmou nesta segunda-feira (12/02), em entrevista coletiva em Bruxelas, que Bogotá cumpriu apenas 12 das 34 medidas previstas para o primeiro ano no acordo de paz com as FARC (antiga Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, hoje o partido Força Alternativa Revolucionária do Comum).

Segundo Joaquín Sánchez, coordenador do relatório produzido pela comissão, a ex-guerrilha está cumprindo o cessar-fogo, mas o governo está retardando sua parte. "Só foi cumprido 5% da reforma rural integrada; 19% no relativo à participação política e 33% do prometido sobre o fim do conflito”, afirmou.

De acordo com o relatório, os 52 anos de conflito armado na Colômbia deixaram 20 mil mortos, 9.000 desaparecidos e 7,2 milhões de deslocados internos. O acordo entre a então guerrilha e o governo foi assinado em 26 de setembro de 2016, em Cuba.

Campanha

Na semana passada, o partido anunciou a suspensão de sua campanha presidencial, por conta das ameaças e atos violentos cometidos contra integrantes do partido. Na quinta (07/02), o candidato a presidente Rodrigo Londoño (Timochenko) cancelou um ato de campanha na cidade de Yumbo após sofrer ameaças.

O integrante do Conselho Político Nacional da organização e candidato ao Senado Pablo Catatumbo disse na sexta (08/02), que, caso as condições para a proteção da integridade física dos dirigentes não sejam garantidas pelo Estado colombiano, o partido não retornará às atividades de campanha.

“A Colômbia não pode se converter em um estado eleitoralmente falido”, afirmou. Segundo ele, o partido irá, com “todas as provas" às autoridades, pedir que sejam punidos “os responsáveis pelos atos violentos contra os candidatos do partido”.

Wikimedia Commons

Acordo de paz entre governo da Colômbia e FARC: nem metade dos pontos foram cumpridos por Bogotá

ELN

Por sua vez, as conversas de paz com outra guerrilha, o ELN (Exército de Libertação Nacional), foram interrompidas pelo presidente Juan Manuel Santos em 29 de janeiro, depois de o grupo ter assumido a autoria de um ataque contra forças policiais colombianas no norte do país.

"Tomei a decisão de suspender o início do quinto ciclo de negociações que estava previsto para os próximos dias até que haja coerência entre as palavras do ELN e suas ações", disse o presidente então em um evento na cidade de Palma. "Minha paciência e a do povo colombiano têm limites."

Ainda em janeiro, em entrevista ao Brasil de Fato, Bernardo Téllez, integrante da delegação do ELN na mesa de negociação, afirmou que a guerrilha retomou suas atividades militares como uma forma de se defender, pois o próprio governo colombiano havia dito que uma de suas condições para dialogar era não baixar armas nem deixar de combater a guerrilha.

"Foi o próprio presidente Juan Manuel Santos que impôs as condições da negociação. Quando nos procurou pela primeira vez, há cinco anos, disse que se quiséssemos conversar seria em meio à guerra, que os diálogos deveriam ser no exterior e que seriam conversas diretas, sem intermediários", disse Téllez.

O cessar-fogo estabelecido entre as duas partes expirou no dia 9 de fevereiro. Nesta segunda, a imprensa colombiana reportou conflitos entre membros do ELN e o Exército do país no município de Cauca, que fica 500 km ao sudoeste da capital Bogotá.

(*) Com informações da Efe

Comentários