Bloco liderado por clérigo anti-EUA vence eleições no Iraque

Líder xiita Moqtada al-Sadr não será primeiro-ministro, mas terá papel importante na formação do novo governo; sua aliança conquistou 54 assentos no Parlamento, e coalizão do atual premiê ficou em terceiro, com 42 cadeiras

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A aliança política liderada pelo clérigo xiita Moqtada al-Sadr, adversário de longa data dos Estados Unidos, venceu as eleições legislativas do Iraque, de acordo com os resultados oficiais divulgados na madrugada deste sábado (19/05) pela comissão eleitoral do país.

O bloco de Sadr, integrado por seu próprio partido e outras seis legendas, incluindo o Partido Comunista do Iraque, conquistou 54 dos 329 assentos do Parlamento. Como não obteve mais de 55 lugares, terá de enfrentar a difícil tarefa de compor uma coalizão de governo.

Além disso, o clérigo xiita não poderá se tornar primeiro-ministro do país, uma vez que não se candidatou ao cargo, mas deve ter um papel importante na formação do novo governo.

Segundo escreveu Sadr no Twitter, os resultados das eleições mostram que "a reforma venceu, e a corrupção está enfraquecida" no Iraque – nos últimos anos, o líder encampou um movimento contra a corrupção no país.

Em segundo lugar nas eleições, com 47 assentos, ficou a coalizão liderada por Hadi al-Amiri, que tem o apoio do Irã e comanda uma milícia xiita que teve um papel fundamental na derrota do grupo jihadista "Estado Islâmico" (EI) no país.

Favorita internacionalmente, a aliança do atual primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, teve um desempenho pior que o esperado e ficou em terceiro lugar, com 42 cadeiras.

Ao jornal norte-americano The Washington Post, Abadi afirmou que seu governo fará "tudo que puder para garantir que a transição para o próximo governo seja conduzida de maneira estável e transparente". Ele ainda pediu "diálogo" para formar um novo governo que seja "comprovadamente não elitista e que represente o povo, em vez de dominado por um só lado".

AFP/H. Madani

O clérigo Moqtada al-Sadr é ainda um opositor da influência do Irã no Iraque

O primeiro-ministro, que assumiu o poder em 2014, em meio à ofensiva do "Estado Islâmico" na região, ainda tem chance de permanecer no cargo, em caso de um consenso entre as maiores forças políticas.

Neste mesmo sábado, o clérigo Sadr se reuniu com Amar al-Hakim, líder do movimento al-Hikmah, que obteve 19 assentos no Parlamento, para começar a negociar a formação de governo, informaram agências de notícias internacionais.

Sadr, que é ainda um opositor da influência do Irã no Iraque, se tornou um símbolo de resistência à ocupação estrangeira ao liderar duas revoltas violentas contra as tropas americanas, levando o Pentágono a descrever sua milícia como a maior ameaça à segurança iraquiana.

A vitória da aliança de Sadr pode ainda significar um retrocesso para Teerã, que vem aumentando sua influência no Iraque – seu mais importante aliado no Oriente Médio – desde que a invasão dos Estados Unidos derrubou Saddam Hussein em 2003.

Os resultados foram anunciados uma semana depois de os iraquianos terem ido às urnas para as primeiras eleições parlamentares do país após a derrota do "Estado Islâmico". Mais de 7 mil candidatos de 320 partidos políticos concorreram às 329 cadeiras em jogo.

Entre os mais de 24 milhões de cidadãos convocados a votar, apenas 44,52% compareceram aos colégios eleitorais no sábado passado (12/05) – uma participação historicamente baixa.

Nas províncias do norte do Iraque, os dois principais partidos curdos venceram o pleito. O Partido Democrático do Curdistão terá 25 deputados no novo Parlamento, acompanhado pelas 18 cadeiras da União Patriótica do Curdistão, que também atua na região.

EK/afp/efe/lusa/rtr

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