'Ataque foi terrorismo de extrema direita', diz ministra alemã da Justiça

Ministra alemã da Justiça condena atentado em Halle; investigação revela que atirador queria promover massacre

Redação

Deutsche Welle Deutsche Welle

Bonn (Alemanha)

Autoridades alemãs afirmaram nesta quinta-feira (10/10) que o ataque ocorrido em Halle foi um ato de terrorismo de extrema direita. De acordo com investigadores, o atirador, identificado como Stephan B., queria promover um massacre numa sinagoga e servir de exemplo a extremistas de direita e antissemitas.

"Foi um ataque terrorista de extrema direita promovido por um único agressor", afirmou a ministra da Justiça da Alemanha, Christine Lambrecht. Ela ressaltou ainda que o extremismo de direita se tornou uma das grandes ameaças à segurança da Alemanha.

O promotor federal da Alemanha, Peter Frank, também confirmou que o ataque, que deixou dois mortos, foi um ato de terrorismo. "O acusado queria entrar na sinagoga e matar o maior número de judeus possível", disse. "Stephan B., que foi influenciado por um antissemitismo, xenofobia e racismo assustadores, estava fortemente armado", acrescentou.

O atirador carregava quatro armas de fogo e explosivos. Em seu carro, a polícia encontrou ainda quatro quilos de explosivos. De acordo com Frank, Stephan B., de 27 anos, se inspirou no massacre de Christchurch, ocorrido numa mesquita na Nova Zelândia em março, no qual 51 pessoas morreram.

"Ele também queria incitar outras pessoas a cometerem tais atos", acrescentou o promotor. O atirador, que foi preso, enfrenta duas acusações de homicídio e outras nove de tentativa de homicídio.

Dezenas de pessoas estavam na sinagoga quando o agressor tentou entrar no local. Sem passar pela porta, que estava trancada, ele começou a disparar contra pedestres. Ainda perto da sinagoga, ele matou uma mulher e efetuou disparos contra os clientes de uma lanchonete turca, matando um homem. Stephan B. fugiu num carro roubado e foi detido após se envolver num acidente.

picture-alliance/dpa/J. Woitas
Segurança foi reforçada em sinagoga que era alvo do terrorista em Halle

O atirador transmitiu o ataque ao vivo pelo portal de internet Twitch com uma câmera instalada no capacete, fazendo comentários contra judeus, imigrantes e feministas e dizendo não acreditar que o Holocausto aconteceu. O vídeo de 35 minutos foi visto por mais de 2 mil pessoas antes de ser removido, afirmou o site.

O grupo Site, que rastreia atividades online de grupos extremistas, revelou a existência de um documento, postado na internet há mais de uma semana, que seria um manifesto antissemita supostamente redigido pelo agressor de Halle. No texto, ele expressa a intenção de "matar o maior número possível de pessoas 'antibrancas', de preferência judeus".

O pai do suspeito afirmou ao jornal Bild que seu filho era solitário e vivia no computador. "Ele não estava em paz consigo mesmo e com o mundo. Sempre culpava os outros por tudo", disse.

Políticos condenam extremismo de direita

Depois da revelação das autoridades sobre detalhes da motivação do ataque, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta quinta-feira que o extremismo de direita precisa ser combatido e que todos os meios do Estado de direito precisam ser usados contra "o ódio, a violência e misantropia". "Não há tolerância", destacou. Merkel disse que, como outros milhões de pessoas, ficou chocada e triste com o ataque.

O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, exigiu uma postura clara contra o extremismo de direita. "Quem agora ainda mostra uma faísca de compreensão para o extremismo de direita e ódio racial, quem promove a prontidão de outros por meio do fomento ao ódio, quem justifica violência política motivada por diferença de opinião e religião ou contra representantes de instituições democráticas se torna cúmplice", disse durante uma visita ao local do ataque.

O ministro alemão do Interior, Horst Seehofer, também condenou o ataque, que chamou de uma vergonha para o país. "Precisamos enfrentar a verdade. A ameaça do antissemitismo, extremismo de direita e terrorismo de direita é muito grande na Alemanha", acrescentou.

Seehofer acusou ainda alguns políticos do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) de inflamar esse tipo de ataque. Além do ministro, diversos políticos alemães afirmaram que a violência de extrema direita no país aumentou após o crescimento da popularidade da legenda, conhecido por posições xenófobas e por alguns de seus membros que costumam relativizar o Holocausto.

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