Trump anuncia novas sanções contra Irã e diz que EUA querem paz

Esse foi o primeiro pronunciamento oficial do presidente norte-americano após ataque iraniano contra tropas americanas no Iraque

Atualizada às 14h52

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (08/01) que irá impor novas sanções contra o Irã e afirmou que os norte-americanos "querem paz". Esse foi o primeiro pronunciamento do mandatário após o ataque iraniano a tropas americanas no Iraque realizado na madrugada desta quarta-feira.

“Ao remover Soleimani, nós mandamos uma mensagem poderosa aos terroristas. Vocês não vão ameaçar as vidas de nosso povo. Nós continuamos a avaliar respostas, mas vamos estabelecer também novas sanções. Essas sanções poderosas vão permanecer até que o Irã mude o seu comportamento”, disse Trump.

O presidente norte-americano abriu a coletiva realizada na Casa Branca afirmando que, enquanto for presidente dos EUA, não permitirá o "Irã ter uma arma nuclear". Trump disse ainda que os dias de tentativa de desestabilização do Irã no Oriente Médio acabaram e que os "EUA não permitirão mais ameaças ao mundo civilizado". 


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Em sua fala, o mandatário norte-americano afirmou que não houve feridos no ataque iraniano às tropas americanas no Iraque. “Nenhum americano foi ferido no ataque da noite passada pelo regime iraniano. Não sofremos baixas, todos os nossos soldados estão seguros e houve apenas prejuízos mínimos em nossas bases militares”, disse. 

Trump ainda afirmou que as forças norte-americanas "estão preparadas para tudo" e que "o Irã parece estar recuando, o que é bom para todas as partes envolvidas. Uma coisa muito boa para o mundo”.

Fotos Públicas
Trump concede coletiva de imprensa nesta quarta-feira

Trump ainda classificou Soleimani como o "maior terrorista do mundo". “Na última semana, nós agimos para interromper as ações de um terrorista terrível que ameaçava vidas americanas. Sob minha direção, nós eliminamos o maior terrorista do mundo, Qassim Soleimani”, afirmou.

O mandatário dos EUA encerrou seu pronunciamento dizendo que os EUA querem a paz para a região. “Os Estados Unidos querem paz junto com todos que querem paz também. Gostaria de agradecer a vocês e Deus abençoe a América. Muito obrigado”, encerrou.

O pronunciamento de Trump ocorre após o Irã ter atacado bases iraquianas que abrigavam tropas dos EUA durante esta madrugada, em resposta ao assassinato do general Qassim Soleimani, morto durante um bombardeio norte-americano sobre o aeroporto de Bagdá na última semana.

Desde o assassinato, ocorrido na última quinta-feira (02/01), as hostilidades entre EUA e Irã vêm crescendo. O governo do Irã qualificou o ataque como uma "escalada extremamente perigosa e imprudente" deflagrada por Washington, enquanto o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo da nação islâmica, pediu "vingança". O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, classificou o bombardeio norte-americano como um ato de "terrorismo internacional" e um ato "extremamente perigoso".


Irã tem o direito de se defender

Mais cedo, nesta quarta-feira, logo após o ataque do iraniano, o embaixador do Irã na ONU, Majid Takht Ravanchi, enviou uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, destacando as várias ameaças dos EUA e argumentando que o país islâmico tem o direito de se defender.

"A República Islâmica do Irã não procura uma guerra e alerta fortemente qualquer aventura militar futura. Irã está determinado a proteger vigorosamente sua população, e defender fortemente sua soberania e integridade territorial", diz o diplomata na carta.

O líder aiatolá Ali Khamenei também voltou a se pronunciar depois do ataque iraniano contra bases norte-americanas no Iraque, dizendo que a ação foi um "tapa na cara" dos EUA e que o país deve sair do Oriente Médio. O ataque é uma retaliação pela morte do general iraniano Qassim Soleimani, ocorrida na última quinta-feira.

"Eles receberam um tapa na cara ontem à noite, mas ações militares como essa não são suficientes. O que importa é que a presença corruptiva dos EUA nessa região deve acabar. Eles trouxeram guerra, discórdia, sedição e destruição para essa região", disse o líder da nação islâmica em pronunciamento feito pela manhã em Teerã.

Avião Ucraniano cai próximo a Teerã

Um Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines, com 167 passageiros e 9 tripulantes, caiu após decolar do aeroporto Internacional de Teerã Imam Khomeini, no sul da capital iraniana, nesta quarta-feira. O voo PS-752 partia de Teerã com destino a Kiev, capital da Ucrânia. 

Todas as 176 pessoas que estavam no voo morreram, afirmou um porta-voz do aeroporto. Cerca de 40 equipes de resgate foram enviadas para o local do acidente e as investigações estão em andamento, disse o vice-chefe da Sociedade do Crescente Vermelho Irã Ebrahim Tajik. 

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