Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
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A vice-presidente e chanceler da Colômbia, Marta Lucía Ramírez, disse nesta segunda-feira (24/05) que o país rejeitou as visitas das comissões da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que iriam avaliar a situação colombiana após semanas de protestos contra Iván Duque.

Segundo Ramírez, todas as visitas “são bem-vindas” no país. No entanto, a colombiana afirmou que, no momento, o governo “considera” ser necessário que as próprias autoridades da Colômbia “terminem suas investigações”.

“Temos os pedidos da CIDH e do próprio secretário [Luis] Almagro. Todas as visitas são bem-vindas, mas neste momento consideramos que seja necessário esperar que as próprias autoridades de controle terminem de realizar suas tarefas e investigações dos casos”, disse. 

Ainda de acordo com a vice, as visitas de comissões internacionais serão liberadas nas próximas semanas. Ramírez disse que tais visitas devem ser realizadas quando órgãos internos do país não cumprem com sua obrigação, o que, para ela, não é o caso da Colômbia. “Ministério Público, Procuradoria-Geral da República e Defensoria, todos constituíram uma equipe de trabalho para garantir que não haja um único caso de violação de direitos”, afirmou Ramírez.

A CIDH fez uma solicitação ao governo colombiano em 14 de maio a fim de realizar “uma visita de trabalho para verificar a situação dos direitos humanos após episódios sucedidos de violência nas manifestações iniciadas em 28 de abril”.

Segundo a vice-presidente do país, é necessário 'esperar' que autoridades colombianas 'terminem suas investigações'; ONG rechaça negativa do governo

Daniel Cima/Flickr

CIDH fez uma solicitação a fim de ‘verificar a situação dos direitos humanos após episódios de violência nas manifestações’

Pelo Twitter, a organização Temblores, voltada para a defesa dos direitos humanos da Colômbia, manifestou “preocupação” com a negativa do governo para os pedidos das comissões. “Expressamos nossa preocupação com a recusa do governo diante da visita do CIDH à Colômbia. O precedente que abre é muito sério porque limita a possibilidade de verificação dos direitos humanos em um contexto em que os órgãos de controle não estão funcionando”, disse.

Ramírez desembarcou nesta segunda em Washington, nos Estados Unidos, para, segundo o jornal El Espectador, se encontrar com organizações e políticos norte-americanos e dar a versão do governo Duque sobre as semanas de protestos sociais na Colômbia. 

Mais cedo, a colombiana esteve em uma reunião com o secretário-geral da OEA, Almagro, para “discutir a situação atual” do país. “Concordamos na condenação da violência, bem como na necessidade de reafirmar os direitos humanos do povo colombiano”, disse o secretário pelo Twitter.

A vice-presidente Ramírez foi nomeada na última semana como a novo ministra das Relações Exteriores, substituindo Claudia Blum, que renunciou no dia 11 de maio, em meio às mobilizações sociais e uma repressão policial contra os protestos.