Hoje na História - 1969: Panteras Negras Fred Hampton e Mark Clark são mortos a tiros

Hoje na História - 1969: Panteras Negras Fred Hampton e Mark Clark são mortos a tiros

Max Altman

Os Panteras Negras Fred Hampton, 21, e Mark Clark, 22, são mortos a tiros de revólver por 14 agentes da polícia enquanto dormiam em seu apartamento de Chicago, Illinois, em 4 de dezembro de 1969.

Cerca de cem projeteis foram deflagrados naquilo que a polícia descreveu como uma feroz batalha e violenta troca de tiros com membros do Partido Panteras Negras. Entretanto, especialistas em balística determinaram mais tarde que apenas um dos projeteis veio do lado dos Panteras. Além do mais, os “buracos de bala” na porta de entrada do apartamento, que a polícia apontou como evidência de que os Panteras atiraram de dentro do apartamento, eram na realidade orifícios feitos pela polícia na tentativa de dissimular o ataque. Quatro outros Panteras Negras foram feridos na investida, além de dois policiais.

Wikipedia/Reprodução

O colchão e o corpo de Hampton após o tiroteio

A batida policial, comandada pelo procurador do condado de Cook, Edward Hanrahan, foi apenas uma das muitas tentativas do governo para debilitar o movimento Black Power. Sob a liderança de J. Edgar Hoover, o FBI (Federal Bureau of Investigation, que significa Escritório Federal de Investigação) vinha há muito reprimindo os ativistas de direitos civis e líderes de outras minorias com o seu programa Cointelpro, cujo propósito, de acordo com documentos do próprio FBI, era de expôr, desbaratar, desorientar, desacreditar ou de algum modo neutralizar as atividades de organizações ou grupos nacionalistas negros que agem na base do ódio, suas lideranças, seus porta-vozes, membros e apoiadores."

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Embora o FBI não fosse o responsável direto por essa batida em especial, o grande júri federal indicou que o birô desempenhou um papel significativo nos acontecimentos que levaram à investida. Hanrahan utilizara as informações fornecidas pelo informante do FBI William O'Neal, que era o terceiro no comando dos Panteras de Chicago, para planejar o ataque.

Havia também um esforço consciente por parte do FBI de valer-se de “táticas criativas e agressivas” a fim de prevenir “a ascensão de um ‘messias’ que poderia unificar e galvanizar o militante movimento nacionalista negro.” Eles aparentemente julgavam que Fred Hampton, um ativista carismático e franco, presidente do Partido Panteras Negras do estado de Illinois, poderia vir a ser esse líder. Hampton envolveu-se na luta pelos direitos civis desde a adolescência. Aos 15 anos, organizou uma seção da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (National Association for the Advancement of Colored People -  NAACP)  em seu colégio, tornando-se presidente do Partido Panteras Negras de Illinois aos 20 anos. Muitos outros líderes dos Panteras, como Huey Newton, Assata Shakur e Bobby Seale, passaram anos na cadeia como resultado de acusações de pouca ou nenhuma evidência.
 
Embora a cobertura da mídia sobre os Panteras Negras em grande parte focasse sua retórica violenta e o fato de portarem armas, os Panteras estavam envolvidos em muitas atividades não violentas de organização de comunidades. Providenciavam alimentos e cuidados de saúde aos necessitados, pregavam maior participação política, manifestavam-se contra a brutalidade policial e inauguravam escolas.

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Como o próprio Fred Hampton disse pouco antes de ser assassinado: "Tem havido tantos ataques contra o Partido dos Panteras Negras que nós achamos que seria melhor montarmos uma unidade de propaganda armada. Mas o fundamental é a educação política.” Desafortunadamente, para Hampton e outros Panteras, alvos do FBI, estar armados não os ajudaram a se proteger contra o aparato de repressão governamental. Na verdade, tornaram as coisas piores, ajudando a legitimar as táticas agressivas do FBI.

A despeito das evidências fornecidas pelos especialistas em balística, demonstrando que 99 por cento dos projeteis foram disparados pela polícia e que ela teria distorcido totalmente o relatório sobre o episódio, o primeiro grande júri federal não indiciou nenhum dos policiais envolvidos no ataque. Ademais, ainda que um grande júri posterior tenha indiciado os oficiais envolvidos, as acusações foram revogadas.

Sobreviventes do ataque e familiares de Hampton e Clark entraram com um processo contra Hanrahan e outros policiais, finalmente arquivado em 1983 sem quaisquer conseqüências.



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