Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Christine Lagarde, atual diretora-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), disse nesta quarta-feira (27/08) que está sob investigação formal da Justiça francesa por “negligência” na condução de um caso de fraude multimilionária enquanto era ministra das Finanças durante o governo do presidente Nicolas Sarkozy (2007-2012).

Agência Efe

Christine Lagarde já afirmou que vai recorrer da decisão e disse que não pretende renunciar ao posto de diretora-geral do FMI

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Lagarde disse que instruiu seus advogados a apelarem da decisão, a qual a chefe do FMI considera “totalmente sem méritos”. Perguntada se pretendia pedir afastamento da diretoria da instituição, disse que “não” e que estava a caminho de Washington para fornecer aos colegas economistas do Fundo todas as informações necessárias.

Atual diretora-geral do Fundo é investigada por favorecer empresário amigo de Sarkozy na venda da marca Adidas, enquanto era ministra das Finanças

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“A comissão investigadora da corte de Justiça da República da França decidiu me colocar sobre investigação formal”, disse a economista à agência AFP. A declaração vem um dia após o caso de Lagarde ter sido apreciado por uma corte especial francesa, a única competente para julgar a ação de ministros e ex-ministros no exercício do cargo público.

No sistema  francês, ser alvo de investigação formal é o equivalente ser réu em processo judicial e acontece quando o juiz competente decide que o caso precisa de uma resposta da Justiça. Nem sempre, no entanto, a investigação é levada para ser julgada em um tribunal.

Venda da Adidas

Conhecido como “caso Tapie”, o processo no qual a chefe do FMI é ré procura esclarecer se foi ou não legítima a forma como a então ministra das Finanças providenciou o pagamento de € 400 milhões (R$ 1,2 bilhão) em indenização ao empresário Bernard Tapie [na foto, à direita], um antigo ministro de Fraçois Miterrand e amigo de Sarkozy.

O pagamento multimilionário está ligado a uma disputa entre o empresário e o banco Credit Lyonnais, gerido parcialmente pelo Estado francês, sobre a venda da marca esportiva Adidas, em 1993. Tapie alega que o banco atuou de forma fraudulenta ao depreciar intencionalmente o valor da empresa no momento da venda. Dessa forma, o governo francês, como principal acionista do banco, deveria indenizá-lo.

Em vez de deixar o caso seguir sua tramitação ordinária na Justiça comum, a ministra optou, em 2007, por recorrer a um tribunal de arbitragem, que acabou decidindo pela indenização milionária. A opção de Lagarde causou forte polêmica na França, sob acusações de que o presidente Nicolas Sarkozy havia pressionado a ministra para favorecer o empresário, em troca de seu apoio nas eleições.

“Depois de três anos de processo, a única alegação que resta é de que, por desatenção, eu posso ter deixado de bloquear a corte arbitral que pôs fim ao longo caso Tapie”, disse Lagarde à AFP.

Além de Lagarde, também estão investigação por corrupção os juízes que faziam parte da corte de arbitragem e o próprio Bernard Tapie.

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