Candidato do MAS na Bolívia pede que governo solicite apoio de Cuba no combate ao coronavírus

Luis Arce, do partido do ex-presidente Evo Morales, enviou carta à presidente interina Jeanine Áñez; segundo ele, cubanos demonstraram "total disposição" para trabalhar com Bolívia

Meg Araújo

La Paz (Bolívia)

O candidato à Presidência da Bolívia pelo MAS (Movimento ao Socialismo), Luis Arce, pediu nesta terça-feira (17/03) que a presidente interina do país, Jeanine Áñez, solicite apoio de Cuba para o envio de médicos e de medicamentos para ajudar nas medidas para prevenir e tratar os casos de coronavírus (covid-19) que afetam o país.

O pedido de Arce foi feito por meio de carta enviada ao governo transitório. Nela, Arce explica que fez contato com autoridades cubanas, que, segundo ele, se dispuseram a colaborar imediatamente.

Até o dia 18 de março, oficialmente, foram registrados 12 casos de coronavírus no país e 39 casos suspeitos foram descartados. O país está em estado de emergência sanitária desde o dia 16 passado. Duas das primeiras pessoas infectadas já obtiveram alta, porém ficarão ainda por 15 dias em isolamento domiciliar.

Durante a gestão passada de Evo Morales, do mesmo partido de Arce, Cuba manteve na Bolívia mais de 700 profissionais de saúde, que colaboravam em diversas regiões do país. Porém, após a renúncia de Morales e a chegada ao poder do governo transitório, as relações com Cuba foram rompidas e os médicos, expulsos.

Na carta, divulgada também em sua conta no Twitter, Arce disse que “as autoridades cubanas manifestaram sua absoluta predisposição para cooperar com o povo boliviano com o antiviral que seus pesquisadores desenvolveram, assim como com pessoal médico especializado para tratar essa pandemia, mediante um trabalho conjunto entre os profissionais médicos bolivianos e cubanos”.

O governo cubano se colocou, desde o início da pandemia, à disposição dos países que necessitem da sua colaboração com médicos e insumos. A Venezuela já está recebendo uma brigada de profissionais cubanos.

Em 14 de março, as autoridades do Norte da Itália, região mais afetada pelo Covid-19, solicitaram ajuda para Cuba. 

O candidato do MAS também afirmou na correspondência que não é o momento de se pensar em diferenças ideológicas, que as garantias à vida do povo boliviano são maiores que qualquer interesse. Por isso, solicitou que “se realizem as gestões necessárias para que está ajuda solidária chegue ao povo boliviano, pois agora mais do que nunca necessitamos de certezas e garantias na prevenção, atenção e tratamento deste vírus”.

Novas restrições 

No último dia 17, a presidente interina anunciou novas medidas restritivas que valerão até 31 de março. Entre elas, a suspensão todos os voos internacionais a partir da zero hora do dia 20 de março; suspensão do transporte interprovincial e interdepartamental, com exceção dos de carga para abastecimento da população; redução da jornada de trabalho, a partir de 18 de março, das 8h às 13h; supermercados só atenderão até as 15h; o transporte urbano só circulará até as 16h e, por fim, a circulação de veículos e de pessoas fica restrita das 18h às 5h.

Leia a íntegra da carta

 

(*) Com enviados especiais à Bolívia

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