ELEIÇÕES 2016: TENTATIVA DE SÍNTESE

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As eleições municipais de 2016, se alguma comparação é possível, têm paralelo com as parlamentares de 1970.


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Naquela ocasião, apesar de um terço do eleitorado ter votado nulo ou em branco, a Arena logrou esmagadora vitória sobre o MDB e consolidou a base política da ditadura militar.

As forças populares e democráticas estavam em defensiva desde 1969 e até 1974 viveríamos o período da resistência mais difícil contra o arbítrio.

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Claro, eram eleições controladas por um regime neofascista, sem liberdades e sob intensa repressão, mas serviu de termômetro para identificar a correlação de forças na sociedade.

Agora, novamente o bloco conservador conseguiu vitória acachapante.

Desde 2015 o campo progressista estava em aberto recuo, principalmente por conta de erros catastróficos do segundo mandato da presidente Dilma, que fragilizou a esquerda diante da ofensiva conservadora em curso. Esse cenário, nas eleições municipais, se consolidou institucionalmente.

Atravessaremos um rigoroso inverno, marcado por batalhas de retaguarda, até que a classe trabalhadora recupere confiança e identidade com as forças progressistas, atraindo também outros setores sociais para um novo projeto de mudanças.

Mas voltaremos.

Como voltamos depois de 1974, isolando e derrotando a ditadura, com a esquerda paulatinamente recuperando protagonismo na vida política do país.

A questão principal, nesse momento, é unir uma análise rigorosa da realidade, para evitar ilusões, e uma estratégia de recuperação baseada em profunda e generosa autocrítica dos erros cometidos, que seja capaz de reconstruir o bloco democrático e popular como alternativa de poder.

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Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi.