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Brasil muda estratégia por vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU

Diplomacia de Dilma deixa de falar sobre o assunto para não ter que fazer concessões a países aliados por votos futuros

A busca por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, um dos principais objetivos da política externa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2002-2010), ganhou nova estratégia com a presidente Dilma Rousseff. Desde 2011, o Brasil passou a atuar mais nos bastidores e a se pronunciar menos sobre o assunto.

“A vaga permanente segue sendo um de nossos pleitos prioritários, mas o assunto não é  tratado no dia a dia, mas sim de forma subterrânea. Se você deixa como prioridade publicamente, vira objeto de chantagem e tem que fazer concessões constantes”, argumentou Guilherme de Aguiar Patriota, assessor de Dilma para assuntos internacionais.

Agência Brasil

Dilma e Lula atuam de formas diferentes por vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU


Para o embaixador, irmão do chanceler Antonio Patriota, a reforma do Conselho de Segurança da ONU “vai ocorrer por si só, de maneira espontânea”.

Como parte da nova estratégia, a professora Monica Hirst, que também participou da conferência “2003-2010: Uma nova política externa”, da Universidade Federal do ABC, avalia que o governo Dilma tem aproveitado os últimos três anos “para avançar em outras áreas, como as operações de paz no Haiti e no Congo, o que vai dando força e angariando votos para a candidatura brasileira”.

“É um processo de aprendizado, mas, inegavelmente, a aspiração na época de Lula elevou o status do Brasil de maneira importante, deu maior visibilidade à nossa agenda global”, analisa a titular do Departamento de Economia e Administração da Universidade Nacional de Quilmes (Argentina).

Leia mais: Diplomacia brasileira antes de Lula era excessivamente domesticada, afirma Celso Amorim

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, por sua vez, chegou a dizer que o Brasil tinha deixado a busca por uma vaga permanente no CS da ONU “à margem, devido a posições contraditórias”. O ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (2009-2010) e secretário-geral do Itamaraty (2003-2009) também comentou com Opera Mundi o tema da espionagem dos EUA, o que não considerou “uma novidade, pois é realizada em alguma medida por satélite desde 1948”.

A comparação entre a diplomacia de Lula e Dilma também foi feita nesta semana por Valter Pomar, secretário-executivo do Foro de São Paulo.  “É claro que há diferenças óbvias de perfil, entre Dilma e Lula, Antonio Patriota e Celso Amorim, mas temos que ver se há inflexões políticas reais. O que vejo são mudanças no ambiente externo e interno. Externamente, o impacto da crise cresceu e nos pegou com mais intensidade. A marolinha de Lula virou um tsunami para Dilma. Dentro do Brasil, o grande empresariado mudou sua postura, não colabora e passou a enfrentar Dilma”, analisou.

 

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