Celso Amorim x Rubens Barbosa: como mudar a política externa sem perder relevância na América do Sul?

Ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula e ex-embaixador em Washington no governo FHC analisam integração sul-americana



Integração na América do Sul é o assunto da segunda parte do Duelos de Opinião desta quarta-feira (08/06). Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores no governo Lula, e Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington no governo FHC, discutem a questão: com José Serra, é possível mudar a política externa sem perder relevância na América do Sul?


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Para Celso Amorim, um projeto de integração na América do Sul não pode ser feito em curto prazo. Mudar a política para a região de forma brusca coloca em risco a estabilidade desenvolvida nos últimos anos.

"A integração (sul-americana) custa um grande esforço. Às vezes, de fato, custa alguns sacrifícios. Por isso, as pessoas que pensam apenas no imediato dizem que o Brasil fez essa ou aquela concessão, sobretudo quando falamos em países menores como Paraguai e Bolívia. Mas é isso que garante ao país viver em um ambiente de tranquilidade. O Brasil construiu um cinturão de boa vontade em torno dele", diz Amorim. 

Assista à segunda parte do Duelos de Opinião entre Rubens Barbosa e Celso Amorim:

 

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Celso Amorim x Rubens Barbosa: com José Serra, muda o sentido ou a ênfase da política externa brasileira?

 

O ex-ministro acredita que essas ações garantem o crescimento do país no cenário internacional e no mercado sul-americano. "Um dos elementos comerciais que mais cresceram nos últimos anos foi justamente no comércio na América Sul, sobretudo com produtos manufaturados. Portanto, eu acho uma perda enorme nós desperdiçarmos esse capital que foi construído em torno da integração sul-americana em função de algum interesse imediato", afirma.

Para Rubens Barbosa, o Brasil, na verdade, perdeu o papel de protagonista na América Latina nos últimos anos. O diplomata acredita que há uma contradição entre a realidade de perdas econômicas e a retórica de integração com os países bolivarianos.  

"Nos últimos 13 anos de governo do PT, o Brasil não teve um papel protagônico que resultasse positivo para os interesses do país. Fomos reflexos na maioria das ações. Por afinidade ideológica, nos juntamos aos países bolivarianos e isso trouxe prejuízos ao país", acredita Barbosa, que diz que o governo brasileiro não tratou "de abertura de mercados, ampliação de exportações brasileiras e liberalização do comércio". "Nessa perspectiva, a América do Sul é um dos principais desafios da política externa brasileira para recuperarmos o protagonismo na região", afirma o diplomata.

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No Duelos de Opinião, Rubens Barbosa e Celso Amorim discutem nova orientação do Itamaraty


(*) Produção de Vitor Vogel, Matheus Pimentel e Dodô Calixto

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