Notas internacionais: Mike Pompeo faz tour pela América do Sul

Eleições na Índia, feriado ampliado na Venezuela, viagem do secretário de Estado dos EUA pela América do Sul e pesquisas eleitorais na Argentina: destaques desta segunda, 15 de abril de 2019

Ana Prestes

Brasília (Brasil)

900 milhões vão às urnas na maior eleição do mundo. Desde a última quinta (11/04) estão abertas as urnas eleitorais na Índia. Cerca de 900 milhões de pessoas vão escolher 543 para a câmara baixa do parlamento indiano. As mulheres podem ser a maioria nesta eleição, com 430 milhões de votantes. Os votos serão apurados em 23 de maio. O atual primeiro ministro Narendra Modi tenta novo mandato. Ele é do BJP (partido do povo indiano) e representa setores nacionalistas hindus. O principal grupo de oposição está concentrado no INC (congresso nacional indiano).

Venezuela terá feriado ampliado. No sábado, 13, durante as celebrações do “Dia da Dignidade” pelo aniversário da superação do golpe de Estado de 2002 por Chávez, Maduro anunciou feriado nacional durante toda a semana santa, a contar a partir de hoje, 15. Segundo o presidente, a intenção é “aproveitar para a recuperação do sistema elétrico”, ainda instável.

FMI não reconhece Guaidó. A Venezuela também foi pauta da reunião do Comitê Executivo do FMI durante o final de semana (14), mas menos por questões financeiras do que diplomáticas. Os EUA tentaram que o comitê reconhecesse Guaidó como presidente do país, mas segundo a presidente Christine Lagarde, “o organismo internacional não chegou até agora a um consenso sobre um possível reconhecimento de Guaidó”.

Mike Pompeo em tour pela América do Sul. Mike Pompeo visitou o Paraguai no final de semana, após ter passado pelo Chile. De lá seguiu para o Peru e Colômbia. Tema principal das conversas têm sido as medidas para aumentar o isolamento da Venezuela na região. As disputas comerciais e militares com Rússia e China também estiveram na pauta.

Oposição boliviana pede socorro a Trump. Um grupo de quinze parlamentares bolivianos, liderados pela senadora Carmen Eva Gonzales da Unidad Demócrata (UD) fez um apelo a Donald Trump para que “interceda na América Latina e evite que Evo Morales volte a candidatar-se à presidência da Bolívia”. A eleição na Bolívia ocorrerá em 20 de outubro deste ano.

Bolívia liderança econômica da América do Sul. Enquanto isso, três organismos internacionais, o FMI, o Banco Mundial e a Cepal, coincidem na avaliação de que a Bolívia continuará liderando o crescimento econômico da região, pela expansão de seu PIB. Para 2019, a expectativa de crescimento é de 4,4% do PIB.

Macri perde em todos os cenários. Na Argentina, os comentários do final de semana giraram em torno de novas pesquisas sobre a corrida eleitoral. Segundo os levantamentos, Macri perde para qualquer um dos principais candidatos da oposição, Cristina Kirchner, Lavagna e Sergio Massa.

Economia Mundial em crise. Os primeiros três meses de 2019 mostram uma diminuição significativa da atividade econômica mundial, segundo dados da JP Morgan. A produção industrial global é uma das forças que puxa para baixo a economia. Segundo analistas, a chamada grande depressão nas principais economias capitalistas desde o final da Grande Recessão de 2009 não terminou. “As economias capitalistas avançadas estão desacelerando rapidamente e muitas das chamadas economias emergentes estão entrando em recessão” (...) “O ponto de inflexão mais provável será a dívida empresarial. Desde o final da Grande Recessão, a dívida não financeira global tem aumentado”, segundo o economista marxista britânico Michael Roberts.

EUA se livram de processo por crimes de guerra no Afeganistão. Os EUA conseguiram que a Corte Penal Internacional não julgasse os crimes de guerra e de lesa humanidade cometidos no Afeganistão desde 2003, quando começou a guerra pós 11 de setembro de 2001. As pressões americanas vêm desde 2017 com ameaças de sanções sobre os juízes da corte e o caso mais recente foi a proibição de entrada nos EUA da juíza Fatou Bensouda, gambiana que preside a Corte.

Sudão em ebulição. O Sudão vive dias de profunda instabilidade agravada com a queda do presidente Omar al-Bashir (30 anos no poder), preso por ordens do novo conselho militar que assumiu o controle do país em 11 de abril. Dezenas de pessoas já foram assassinadas e centenas ficaram feridas desde o início dos protestos contra o governo há quatro meses, segundo a ONU. Após tomar o poder, o Exército decretou estado de emergência, toque de recolher e suspensão da Constituição. Nos últimos dias a população tem desafiado o toque de recolher e ido às ruas para se manifestar. Ontem a junta militar realizou reunião com os partidos políticos do país e pediu que selecionassem uma “pessoa independente” para ser primeiro-ministro no período de transição para um novo governo. Enquanto isso, nas ruas os manifestantes pediam eleições para a formação de um governo civil.

Líbia mostra sua realidade ao mundo. Outro país africano conflagrado é a Líbia. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), nos últimos dias morreram pelo menos 121 pessoas e quase 600 estão feridas devido aos combates na capital Trípoli. Mais de 13 mil pessoas podem estar desabrigadas. Os combates ocorrem desde o dia 4 de abril entre o Governo de Unidade Nacional (GNA), reconhecido pela ONU, e o Exército Nacional Líbio, formado pelas tropas do marechal Khalifa Haftar, que fez parte do governo de Gaddafi no passado. 

Sociais democratas vencem na Finlândia O Partido Social Democrata ganhou as eleições legislativas da Finlândia realizadas ontem, 14 de abril. Os social-democratas conquistaram 40 das 200 cadeiras do parlamento e o partido de extrema direita Verdadeiros Finlandeses obteve 39, a diferença foi de apenas 0,2%. Na sequência vem o partido Coalizão Nacional (conservador) e em quarto lugar o Partido do Centro, do atual primeiro-ministro, Juha Sipila. O líder social-democrata, Antti Rinne é ex-sindicalista e já foi ministro das Finanças.

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